6.9.09

 

                                                

 

                                                   GÓIS E SEUS POETAS

 

                                                           COM 2000 ROSAS

                                                        

                                                    NO ANIVERSÁRIO DE JESUS 

 

 

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                                                ASSINALANDI I SEGUNDO

                                                MILÉNIO, A PRENDA MELHOR

                                                QUE JESUS QUER TER DO MUNDO

                                                SÃOS ABRAÇOS DE AMOR

 

 

  

                                                                   I

 

                             ÁLVARO DE PAULA DE NOGUEIRA

 

Inicio a 2ª Edição do livro "Góis e seus Poetas", recordando o hino do antigo e garboso Rancho Folclórico de Góis, que ainda hoje se canta comovidamente, como preito ao autor da letra e música do saudoso Goiense Eng.º Álvaro de Paula Dias Nogueira.

 

O Ceira corre                                  

Muito mansinho                              

Pra nos ouvir                                  

Devagarinho;                                                                                                                    

Passa debaixo da Ponte              

Curvando a sua fronte

E ao Mondego irá contar

A ver sereias sem ser no mar.

O Ceira vai deslizando

E  o rancho assim cantando:

 

               Coro

 

Saudemos a nossa terra

Alegremente

Sempre dançando. 

O nosso Rancho de Góis

Festivamente passa cantando

                            

Pulsam nossos corações 

De gente moça, 

Botões em flor. 

Saudemos a nossa terra 

Com toda a força do nosso Amor. 

                            .

 

Vamos prá festa

Lá pró Castelo

Que linda vista

Góis é tão belo.

Queremos ter o condão

De alegrar a multidão

As pandeiretas sempre a vibrar

Que ares tranquilos farão troar.

Rapazes e Raparigas

Cantemos nossas cantigas.

_______________________________________________

 

 

       Clarisse e Judite - Rio

        

   

Numa tarde de Domingo, em pleno mes de Agosto, apeteceu-me ir, mais a Judite Raquel, para os lados da Escarnida, de tão saudosas recordações. Andámos... andámos com o Piloto aos saltos e em permanente abanar de cauda!... e chegámos ao Pego Escuro, um local pitoresco muito sombreado de verdes e a confinar com o Rio, que bem merece ser acarinhado. Àquela hora somente ouvíamos o cantar melodioso dos passarinhos na ramada; a água em cascata a deslizar no açude, o murmurar do Ceira a embalar no leito  dois barquinhos coloridos, remados por duas jovens. Observámos ainda algum que, por desporto, pescava no rio. Seria na procura das famosas trutas?

Havia um silêncio quase absoluto. Saboreando um pequeno lanche que levámos, inspirei-me em reminiscências de tempos idos e elaborei

 

ali este simples poema:

Restos de um moinho antigo,

Junto a um velho carreiro,

Lembram a mina em perigo

E a morte do Jorge "moleiro"!

Era o tempo do minério,

Ia sendo um caso sério:

Numa tarde em sol poente,

Eu andava aqui no rio,

Quando o barco do meu tio,

Se revirou de repente...



Momentos depois eu e a Judite deixámos o Pego Escuro. Passando pela Boavista, que estava repleta de automóveis, fixamos os olhos na praia fluvial da Peneda, agora embelezada de maneira original e admirámos o intenso movimento dos banhistas, muitos deles a descansarem no extenso relvado e a saborearem no Parque, em redor de mesas de pedra, a sua merenda.O aprazível Bar de petiscos sobre o

Bar de petiscos sobre o rio, dos Irmãos Figueiredos estava também cheio até às beiras... É verdade que nestes últimos anos a nossa linda vila de Góis, com o Ceira límpido e sereno transpondo a velha Ponte, "ex.libris" da vila, tem sido palco de atracções e diversões para os numerosos turistas que nos visitam. Encantados, pensam sempre em voltar e trazer Amigos. Para as crianças, principalmente, o rio é um sonho que os seduz! Bem-haja. Sr. Presidente da Câmara, Dr. José de Ascensão Cabeças pelo seu requintado gosto.

Em frente à Igreja Matriz compus mais este poema:

 

A Igreja e Capela-mor

Tendo aos pés o Rio Ceira,

Abriga Nosso SENHOR

E D. Luís da Silveira



Que em Góis tinha moradia,

Palácio de fino traço

Desta nobre senhoria,

Resta só o nome – Paço!



Igreja Matriz de Góis,

Obra notável que encerra

Relíquias santas, heróis

E os velhos donos da terra.



Foi Guarda-mor de D. João Terceiro,

E Poeta distinto D. Luís.

Refere de Resende "O Cancioneiro",

Diz também o Dr. Padre Dinis

 

 

 ===================================

 

                                                    II

 

                               

 

                                 D: LUÍS DA SILVEIRA

 

                              Seu Túmulo na Igreja Matriz de Góis

 

 

Segundo li no livro "D. Luís da Silveira, do Pe. Dr. António Dinis, o Conde da Silveira levou sempre uma vida faustosa e de certa ligação com a Corte. Conta-se que quando veio para Góis, em certo dia em que pescava à cana, um homem lhe perguntou se o peixe picava. Certamente, porque ainda nada tinha conseguido pescar, consta que lhe respondeu meio zangado:

 

- Homem eu perco tempo e não peixe...

 

Refere ainda o livro acima citado, que o Poeta D. Luís da Silveira "gostava de versejar nos serões para galanteio de damas e também num desejo de amostra de amor "cavalheiresco". Eis um pequenino trecho de um poema seu:

 

"Senhora, pois que folgais

Com meu mal, não me mateis,

Porque quanto alongais

Minha vida, tanto mais

Vossa vontade fareis."

 

Uma poesia mais de D. Luís da Silveira, que, conforme l, escreveu à beira do Rio Ceira. Desde sempre que o Rio, pelo seu encanto, inspira os poetas. Possivelmente começou por ser uma ribeira:



Ao longo desta ribeira

Vivo vida descansada

E a derradeira;

Esta é vida verdadeira

Para quem já não quer nada:

Não tenho já esperança

De Senhor ou de Senhora 

Nem mais bem-aventurança

Que estão já delas fora...

 

........................................

 

Mais Poetas Silveiras houve então,

Na família do Conde da Sortelha.

D. Simão da Silveira, um seu irmão,

Que ao referido vate se assemelha.

 

O rico Mausoléu Renascentista,

Adornado das cenas da Paixão,

Dizem que a obra de excelente artista,

Ímpar, por certo, nesta região.

C.B.S.

 

ooooooooooooooooooooooooooooooo

 

                                               III

 

                 ANTONIO FRANCISCO BARATA

 

         E A BIBLIOTECA M. DE GÓIS EM SUA HONRA

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Com o sol quase a esconder-se no horizonte, nos, que tínhamos delineado ir também nessa tarde ao Parque do Cerejal, que funciona como seja a sala de visitas da vila, com a bela praia de Santo António, decidimos adiar o passeio para outro dia, não sem antes recordar um ilustre Escritor Goiense - António Francisco Barata, autor  de uma vastíssima obra literária que muita gente desconhece. Também eu só possuo a obra histórica "Um Duelo nas Sombras" e li um há muitos anos, um volume que tratava de memórias de Coimbra..

Foi também poeta de mérito, deixando um interessante poema "Lembrança da Pátria Góis, publicada a 1ª Edição em Évora em 1899 com o pseudónimo de "Bonifácio Tranca-Ratos". Este escritor nasceu em Góis em 1-1-1836. Viveu muitos anos em Évora, onde exerceu o cargo de Director da Biblioteca Municipal, desenvolveu estudos da sua actividade literária e morreu em 23-3-1910.

Acompanhando-nos hoje, neste passeio a Revista Cultural "Arganília" nº 6 e 7, consagrada a Poetas da Beira Serra, deparámos, com agradável surpresa, num poema de António Francisco Barata e dedicado a Góis. Dele extraí algumas quadras todas elas em versos hendecassilábicos (Arte Maior), muito perfeitos, que aqui deixo transcritas como saudosa lembrança de um trabalho interessante de um ilustre Goiense que tem o seu nome na rua da Igreja e vale a pena apreciar:

 

   LEMBRANÇA DA PÁTRIA GÓIS

 

 

Cercada de montes da origem do mundo,

Na alfombra mimosa de verdes lençóis,

Nas margens de um rio, num leito profundo,

Formosa avistamos a vila de Góis.



É pois, circunscrito seu curto horizonte

De tão altas serras às sinuosidades,

Que por qualquer lado lhe ficam defronte,

Quais muros de bronze contra as tempestades.



Oblonga bacia de côncavo fundo

Em várzeas, lezírias, ficou sendo a terra:

Transborda-lhe o Ceira nateiro fecundo

Que em dons de Pomona mil frutos encerra.



Abundam-lhe as águas no rio, nas fontes,

Não só cristalinas, de grato sabor;

Frondoso arvoredo na encosta dos montes,

Lhe dá puros ares, suave frescor.



Nos meses óptimos de Julho e Agosto

Tem frutas mimosas, mui bem sazonadas;

Nos peixes do rio, delícias de gosto,

Tem trutas no ano das mais estimadas.



Precisos à vida lhe abundam agentes,

Não só humidade, mas luz e calor;

E, ou nela residam, ou vivam ausentes,

Dos filhos dispersos tem ela o amor.



Vestígios lhe  sobram de antiga nobreza

Em Paços desertos, castelos feudais,

Em fontes, sepulcros de grande riqueza,

Igrejas e Pontes a até Hospitais.

 

Silveiras e Lemos, fidalgos diversos

A vila tivera como donatários;

Porém, hoje em dia, seus bens sãos dispersos

Por compras e vendas na posse de vários.


 

Coeva do reino já, pois, desde a infância,

Fidalga apresenta prístinos brasões,

Fidalgos seus filhos, da negra ignorância,

Libertos vão sendo por nobres acções.



E um deles obscuro, de origens plebeias,

Do povo, quais outros, saído, portanto,

Em frase rasteira, vazia de ideias,

De longe, bem longe, lhe tece este canto.



E diz, terminando: ó Pátria adorada,

Onde há doze lustros e mais que nasci;

Depois desta vida de si tão cansada,

Dá tu que eu desejo repousar em ti!



António Francisco Barata - escritor e poeta Goiense que temos de reestudar, como disse, e bem, o Professor João Alves das Neves, na Revista "Arganília. 

 

link do postPor canticosdabeira, às 14:27  comentar

 
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