1.9.09

 

 

                                                           XI

 

                       AMADEU S. DUARTE CARVALHO

 

     Amadeu Simões Duarte Carvalho, ou apenas Amadeu Carvalho, como usava também. Nasceu no lugar de Chão dos Santos – Vila Nova do Ceira em 5 de Fevereiro de 1913 e faleceu em Lisboa em 14 de Janeiro do ano 2000. Permitisse Deus que não fosse como “Velho Tronco Abandonado”, tal como deu ao título de um seu sentido soneto que li, uns dias antes da sua morte, no Jornal de Arganil.

 

Em Abril de 1928, com treze anos somente, deixou o rebanho para ir trabalhar no que aparecesse e seguiu rumo a Lisboa, onde dois generosos Sargentos, um da Marinha e outro do exercito lhes ministraram as primeiras letras.

 

Consoante palavras suas, após uma semana de aprendizagem, escrevia, de Alcântara a primeira carta dirigida a seus pais. Mais tarde chegou a ser um conceituado industrial de Hotelaria e Café.

 

Com certa inclinação para as letras e inspiração para a poesia, há anos que vinha publicando produções suas na imprensa Regional. Trabalhava também 32 tipos de caligrafia, sendo 12 de sua autoria.

 

Ult6imamente tinha uma agradável distracção na pintura de quadros com flores, e não só, que costumava oferecer aos Amigos e Instituições de Caridade. Pena foi que nos últimos tempos a falta de saúde o impedisse de sonhar como desejaria.

 

Deixo, então, à consideração dos leitores e conterrâneos singela lembrança de alguns trabalhos seus, evidenciando, assim, uma das suas artes ornadas de Amor Cristão:

 

                                     A PRIMAVERA DA VIDA

 

  “Soneto dedicado ao Sr. Manuel dos Santos Paulo Rato Júnior”

 

A Primavera linda, eis chegada!

O Sol quando aparece é mais quentinho,

Já foi a neve, o frio e a geada…

Tudo vai deslizando p’lo caminho.

 

A Primavera, Fonte desta Vida,

É doce Mãe que tudo faz crescer!

Que pena…para nós está perdida!

Sem ela, como vamos nós viver?!

 

- Levanta-se, homem! Dê mais uns passinhos…

Ouça o terno cantar dos passarinhos,

À luz do Sol brilhante, a despertar.

 

Eu sei que gosta muito de os ouvir!...

Então que espera para usufruir

A alegria e prazer do seu trinar.?!...

 

 

                      O PASADO

 

COMO OS PASTORINHOS DE FÁTIMA

 

                   

 

Eu era noutro tempo uma criança,

Botão de cravo em flor desabrochado!...

Quem dera haver em mim feliz mudança

E de novo abraçar o meu passado|

 

Sorrir, assobiar pelos quintais…

E jovial pastor voltar a ser!

Estar com meus avós, Irmãos e Pais,

E em meu peito apertá-los com prazer!

 

Quem me dera descalço ainda andar

Com meus tantas vezes a sangrar,

Pois assim quase sempre sucedia.

 

Quem me dera essa Vida, agora, ter

E dos meus pais voltar a receber

Aquela Paz e Amor que, então, havia!...

 

                                Lisb, 23 – 7 – 98

 

 

ESTA FÉ QUE ME ALIMENTA

 

Há um segredo escondido

Que falta ao homem saber.

Pode ter muito aprendido,

Mas nunca o vai conhecer!...

A Ti, Deus-Pai, ó Divino,

Eu te quero agradecer

Esta Fé de pequenino,

Que me deixaste ao nascer!...

 

Hospital de Santa Marta, Lisboa – 1998

 

Nota:

Tenho pena de não possuir uma foto deste Senhor. Se alguém de família a tiver, agradecia o favor de me a esprestarem. C.B.S.

 

ooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

 

                                                  XII

 

                   MARIA CÂNDIDA B.C. CORTEZ

 

                                 

 

 

D. Maria Cândida Chichorro Cortez, filha do saudoso Goiense Dr. Diogo Barata Cortez e de D. Laura da Conceição Barreto Chichorro de Vilas Boas Cortez, nasceu em Góis em 2 de Junho de 1902. Casou em Fátima em 25 – 3 – 1948 com Faustino Rodrigues Pereira Gens, de Vila Nova de Ourém. Durante anos residiram na Beira – Moçambique, onde seu marido prestou serviço com Funcionário Público.

Depois de viúva, D. Maria Cândida, ou melhor “Candinha” como era conhecida, viveu alguns anos em Coimbra, tendo algum tempo depois se retirado para uma Casa de Repouso em Paço de Arcos – Oeiras, onde faleceu em 31 de Julho de 1996.

 

Conecida a Candinha, já há muito anos e havia, até, em minha casa um relacionamento Amigo com esta Respeitável  e Saudosa Família de Góis. Todavia, só há muito pouco tempo e depois do seu desaparecimento é que eu descobri que ela também se ocupava, desde nova, a fazer poesia.

Por me dizer muitas vezes que gostava de ler os meus poemas, eu mandava-lhe os meus livros à medida que os ia publicando, mas na sua modéstia jamais me confidenciou que também tinha feito poesias. Segundo parece fez alguns poemas para o antigo rancho folclórico de Góis. Em África em Coimbra e não só, chegou a participar em certames. O último livro que lhe ofereci foi os “Hinos da Tarde” em 1994. Tendo-me dito que ficava muito feliz e sensibilizada com ele. Dizia também: “Pois Deus lhe dê ainda muitos anos de vida para poder enriquecer a sua biblioteca com mais obras suas; é o meu desejo sincero.”

Era muito boa senhora, deixando-me, também, Saudades.

 

Eis alguns dos seus trabalhos poéticos, que pessoa Amiga fez o favor de me dar a conhecer:

 

Numa festa de Lisboetas, em Moçambique em 1955.(Quadras premiadas com menção honrosa):

 

 

 

Lisboa, minha Lisboa,

Lisboa, meu querubim!

Não há cidade tão boa,

Não há outra terra assim!

 

É a cidade mais bela,

Toda ela é um jardim!

Que Saudades tenho dela,

Não há outra terra assim!

 

Desde o Tejo ao Monsanto

Ela é tudo para mim,

Por isso lhe quero tanto,

Não há outra terra assim!

 

Pois no mundo, por enquanto,

São só belezas sem fim.

Toda ela é um encanto,

Não há outra terra assim!

 

QUADRAS SOLTAS

 

Teu doce nome, Maria,

É tão cheio de doçura

Qu’ao morrer eu gostaria

De o repetir com ternura.

 

Ai quem me dera esquecer-te,

Já que não gostas de mim!

Pra que havia, assim, de querer-te,

Se não podes querer assim?

 

Amor, não podes ficar

Com os beijos que te dei.

Não sabes que açambarcar

Hoje é punido por lei?

 

Em quatro versos somente,

Meu Amor eu não consigo

Dizer o que alma sente

Por um coração Amigo!...

 

 

Efectivamente no tempo da 2ª guerra mundial e do volfrâmio, falava-se muito em açambarcamento.

 

Não há nenhuma verdade

(Vá lá saber-se porquê)

Que chegue a valer metade

Da mentira em que se crê…

 

Se no Amor fosse dado

Existir peso e medida;

Todos teriam comprado

Uma balança na Vida…

 

       NO DIA DA MÃE

 

Para ser lido por uma aluna da Escola

 

Mãe, são três letras pequenas

Que eu digo com devoção;

São só três, mas elas chegam

Para encher meu coração.

 

E se as mães estão em festa,

Eu quero dizer também:

Que toda a minha ternura

Vai para ti, minha mãe!

 

Mãe, nome tão pequenino,

A dizer leva um segundo,

Mas vale mais, muito mais,

Que todo o ouro do Mundo!

 

E agora, pra premiar

Estas duas mães bondosas,

Em nome da nossa Escola

Aqui têm estas rosas!

 

Góis, 8 de Dezembro de 1942

Maria Cândida B.C. Cortez.

 

Nota: Muita pena tem hoje de não poder dar à Candinha esta surpresa e alegria. Enfim, cá fica como simples recordação e homenagem póstuma. Gostava de uma foto, das lindas como ela era, mas não consegui. C.B.S.

 

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

 

                                               XIII

 

 

                                        

 

                CARLOS ALBERTO POIARES

      

 

Carlos Alberto Martins da Silva Poiares, filho do saudoso Goiense, Dr. José Maria da Silva Poiares e de D. Albertina dos Prazeres Martins da Silva, nasceu em Lisboa em 4 de Julho de 1958, sendo o actualmente o Presidente do Conselho Regional da Casa do Concelho de Góis. Portanto este ilustre Amigo está, evidentemente, muito enraizado em Góis, onde possui casa própria.

 

  Distinto Advogado na Capital, é ainda Doutor em Psicologia pela Universidade do Porto e Professor da Faculdade de Economia da UNP.

 

  Ocorreu-me inseri-lo na 2ª edição do meu livro “GÓIS E SEUS POETAS”, porque o professor Carlos Alberto Poiares publicou um livro de poemas em 1975 com o título “PAÍS LIVRE”, cujo exemplar detenho com amável dedicatória sua. Ainda, também, como singela e póstuma homenagem a seu pai, meu particular Amigo de outrora, que foi uma das principais pessoas que me incentivaram muito a escrever.

 

  E é desta obra sua “PAIS LIVRE” que reproduzo este poema interessante ao qual ele deu o nome de

 

 

 

                                              “P O E S I A”

 

                                                                 “ a Neruda”

A poesia

é facho vivo

que o poeta transporta na mão

fazendo luz na escuridão

da ignorância

e levando à grades

a esperança em verso

de um dia rebentarem

os ferros de ódio e medo

e venceram.

É o facho que ilumina

a vida em resistência

e o trabalho do mineiro,

do camponês, do operário,

do escritor, do funcionário.

É a vida clara

que se intromete

nas masmorras

e inspira quem vive,

quem resiste e quem morre

por um país livre.

 

 Fev. 1974

Prémio Criatividade 78, atribuído pela Casa da culturaq da Juventude de Coimbra.

(F.A.O.J.

 

 

 

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