23.11.09
 
 

                                          MURMÚRIOS DO CEIRA

 

                                                III

 

                            PRECIOSA DA VÁRZEA

 

                                  

   As grandes dificuldades do passado, vividas com honradez, são exemplos para o futuro, C.B.S.

 

 

A Preciosa, por ficar sem pai aos treze anos de idade, vivia com a mãe e dois irmãos mais velhos, na Várzea de Góis. Nascera mesmo ali junto ao Adro da Igreja, decorado de arvoredos.

 

Por herança do chefe da casa, já desaparecido, possuía esta família uma Padaria; e eram os seus irmãos, auxiliados também pela mãe, que coziam o pão que a Preciosa, ainda nova, tinha de ir vender, manhã cedo, mais a sua amiga Zulmira, do Linteiro. De cabaz à cabeça, descalça e a pé, corriam todos os lugares de Serpins, Ponte do Sótão, Cazelhos, Portela, etc. a fim de o distribuírem pelas mais variadas lojas e tabernas. Nos dias de mercado, também as moças costumavam ir a Góis fazer a venda.

 

Quando vendiam o pão todo e regressavam cedo a casa com o dinheiro num saquito de pano, a Preciosa – dizia, muito satisfeita, a sua mãe:

 

- Vê, mãe, já cá estamos e vendemos todo o pão. Mas venho cansada e já me doem os pés.

 

- Tem paciência, filha, – volvia a mãe temos de lutar pela vida para não morrermos de fome. Mesmo assim, temos ainda de dividir a sardinha… Se o vosso pai fosse vivo, tudo seria diferente, mas assim, temos de trabalhar mais para vivermos sem vergonha do mundo. Não vês o Alfredo, do Correio que todos os dias tem de ir a pé levar as cartas a Góis, num saco? E pelo que sei, não ganha muito, coitado. Para a semana que vem, tens de tirar uns dias para o Sr. Carlos Cortez. Quer que vás ceifar a erva na Quinta dos Amiais. E o Snr. Artur precisa do milho da Costeira sachado.

 

E o diálogo prosseguia:

 

- Também me disse ontem a vizinha Prazeres que tenho de ir lavar-lhe a casa. (Esta senhora foi depois a minha madrinha e o seu filho - Dr. Francisco Cortez- o meu padrinho) Tudo farei, minha mãe, mas tem de me comprar uma saia de fazenda para estrear na festa da Senhora da Candosa. Estou a pensar em ir lá montar um botequim, mais a Zulmira. Poderá ser que a venda de refrescos dê para comprar a saia nova e um lenço bonito de cachené…

 

Uma vida cansativa! Mas, coitada da Preciosa, tinha também de acarretar o estrume em cestas à cabeça para a Samoura, onde cultivavam terras do seu avô, que ali vivia. Sabia-lhe lá muito bem uma merendinha que o avô mandava preparar à sua governanta, dizendo sempre:

 

 - Não quero que os meus netos passem aqui, sem comerem alguma coisa.

 

 - Este Manuel Barata, de longas barbas, e andou muitos anos no Brasil, era um santo e honrado Homem! Contava a minha prima Maria Teresa que este seu avô também, chegou a emprestar dinheiro ao célebre João Brandão, (tido como malfeitor e ladrão) e ele lho restituiu….

 

Naqueles trajectos da Várzea para a Samoura e da Samoura para a Várzea, muitas vezes acompanhada de sua prima Elvira, que trazia um irmão, em Coimbra, a estudar para Padre, o que não correu ela uma vez, para entregar cem escudos que vira caídos no chão e eram do Machucho, que os acabara de receber em Góis e os deixara cair na estrada nova. Nem meio tostão lhe deu de gratificação… mas ela sentiu prazer em cumprir com a sua obrigação. Seu pai e meu avô também havia sido um Homem honestíssimo, porque poderia ter-se ausentado do Brasil, mas só veio após ter pago uma dívida enorme de um seu irmão desaparecido, por quem ficara de fiador. Essa mágoa, de chegar à Várzea com poucos rendimentos, fê-lo morrer cedo.

 

Os seus irmãos é que estavam encarregados de tocar os sinos da Igreja, mas quando saíam, era sempre a Preciosa que tinha de puxar pelas cordas dos dois sinos ao mesmo tempo – e com toda a sua ligeireza, – a fim de fazê-los estrondear, ora de tristeza, ora de alegria pela Várzea inteira e casais à volta.

 

Quando completou dezoito anos, muitos dos rapazes da Várzea e arredores, ao vê-la tão desembaraçada e airosa, começaram a sorrir-lhe e a piscar-lhe o olho… Mas a Preciosa moça sossegada e de tino, não lhes dava confiança. Gostava de saudá-los com a sua alegre simpatia e certamente alguma estima. Só isso.

 

Num certo dia, em que ela tocava o sino da Igreja, viu ao longe um rapaz, de alcunha o “Tafona”, a serrar lenha numa eira com os olhos fixos na Torre. Tão distraído e enlevado estava a olhar para ela, que a “burra” virou-se e ele caiu ao chão, dando uma cambalhota… A Preciosa riu-se muito com esta peripécia engraçada, dizendo-lhe depois, quando o encontrou:

 

- Tanto olhaste, que até caíste da “burra”, meu parvo!...

 

Uma tia deste “Tafona”, insistindo muito para que ela casasse com o sobrinho, certa vez chamou-a a sua casa para lhe mostrar uma mala de enxoval, que tinha preparada para ele, e disse-lhe:

 

- Vê Preciosa o que tenho aqui guardado para o meu sobrinho. Só lençóis de linho, com bordados, são doze. Toalhas, também de linho com renda, são dez. Também já comprei duas panelas, um tacho e até uma peneira… Porque não aceitas o namoro?

 

- Ainda sou muito nova, senhora Maria. Também me falou o primo “Zé” do Cabeço que veio há pouco tempo do Brasil, todo aperaltado e vestido de branco… e eu não aceitei. Contudo, eu agradeço-lhe a sua atenção.

 

Como andavam muitos pretendentes a quererem entabular conversa com ela, a mãe vigiava-a muito, não autorizando que ela frequentasse bailes nem se demorasse na fonte. Muito austera, fechava-lhe à noite as janelas todas da casa, para que não espreitasse quando às vezes no Adro os rapazes lhe faziam serenatas à luz do luar. Era já uma rapariguinha feita, - a Preciosa – e ainda levava com uma chinela, cá fora na varanda… Então dizia – à sua mãe:

 

- Aqui não, minha mãe! Vamos ali para dentro, que tenho vergonha. Ao Luís Garcia, a quem chamavam o “Manquité”, ainda lhe ouvi dizer algumas vezes, caçoando com ela: “aqui não, minha mãe, vamos ali para dentro”…

 

Os seus irmãos eram ambos executantes da Banda Filarmónica, tocando trompa, um e cornetim o outro. O mais alegre e divertido era o Juvelino que cantava e encantava quem o ouvia. Este rapaz que morreu no Brasil em 1940 e lá teve descendência, deixou fama na Várzea pela sua jovialidade, sentido de humor e graça. Um seu neto de nome António Bressan, tem hoje no Brasil uma clínica de oftalmologia. Aqui deixo um abraço para o primo Tony e família.

 

Contava a minha mãe, que este seu irmão – Juvelino, algumas vezes foi para a beira do Rio com um guarda-chuva aberto e a fazer-se mais baixo… a fim de assustar os que andavam por lá à pesca sem licença que, pensando tratar-se do Senhor António, guarda-rios, fugiam a correr com o receio da multa.

 

Quando chegou aos vinte e dois anos, por consentimento de sua mãe, a Preciosa aceitou namoro com um seu parente de Góis. Um namoro sempre a três… até ao dia do casamento!...

 

Alguns jovens mais ousados chegaram a fazer zaragatas para conseguirem ser os escolhidos do seu coração. Esteve até combinado com o “Zé da Gaia”, que também a pretendia, mais outros, prepararem uma emboscada no Barroco do Nogueira, e darem uma “malha” no eleito, correndo com ele para Góis…

 

Nada conseguindo, os moços ficaram tristes. Entre eles havia um estudante de engenharia, que nem queria acreditar, apesar de ser ele a trazer as amostras do tecido, de Coimbra, para o vestido de noiva e ter-lhe ouvido algumas vezes dizer que não era sapato para o seu pé…

 

O dia vinte de Maio de risonha Primavera aproximava-se. Para o desiludir e já próxima a boda, a mãe disse, um dia à filha, na sua presença:

 

- Preciosa, vai dar as amêndoas, do teu casamento, ao Antoninho.

 

Será que alguém ainda se lembra do Antoninho da Várzea? Penso que sim, pois Vila Nova do Ceira, como se diz hoje, tem lá uma rua a recordar o saudoso Engenheiro António Barata Garcia.

 

O “Zé da Gaia, de seu nome próprio – José Olivença, também eu o conheci muito bem. Um homem alto e forte que muitas vezes me disse na loja de comércio: “Venho sempre a Góis no “carro” das minhas pernas…

 

 

(História verídica contada por minha mãe, na qual ela foi a protagonista) C.B.S.

 

 

 

                                          

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17.11.09

 

 

                                     MURMÚRIOS DO CEIRA

 

                                                     IV

 

                                  UMA FLOR E UM BEIJO

 

                              A ternura de uma criança tem sabor a mel. no coração do velhinho. C.B.S.

 

          

 

 

Eis o teor de uma carta que considero deveras interessante, que recebi há dias da Maria Celina e que ouso dar a conhecer aos amáveis leitores:

 

Boa Amiga

 

Como sabes não sou artista, mas seduziram-me sempre as cores, e, por isso, há dias, apeteceu-me pintar um quadro de amor.

 

Quando era mais nova cheguei a pintar a Natureza em festa, vasos de flores, fotografias, crianças e até passarinhos voando no Espaço. Não tive mestres; servia-me das paisagens campestres e dos livros e revistas coloridas que encontrava. Simples aguarelas que tenho escondidas e guardadas no meu sótão… Só a minha mãe tem apreciado os meus trabalhos, mas, agora, com a falta de vista, chora por não distinguir bem os meus rabiscos…

 

Numa tarde de Estio resolvi levar os meus pincéis na intenção de fazer uma aguarela bonita, a fim de a oferecer a minha mãe no dia dos seus anos, que vinham ainda longe.

 

Chegando ao Mártir e descansando um pouco sob a copa dos pântanos que ali estão a sombrear o local, subi a escadaria que dá acesso ao Castelo, onde agora funciona o moderno e aprazível Parque de Campismo e sentei-me num banco que está à entrada, recordando muitas pessoas da terra, apenas vivas na nossa saudade, que também ali estiveram e agora repousam em paz, mesmo em frente à sombra dos velhos ciprestes!...

 

Fiquei-me um instante a admirar a linda vila de Góis, a Musa dos meus sonhos! O casario branquinho, o Céu muito azul, e, envolta de arvoredos, a Igreja Matriz que abriga um artístico túmulo de D. Luís da Silveira, a serra do Rabadão e ao longe a capelinha da Senhora da Guia! Tudo isto me enfeitiçada, acredita!

 

Lá em baixo sob a velha Ponte de três arcos, o rio Ceira corria de mansinho, alegre e deslumbrado. As margens de um tom verde-loureiro, as esplanadas, a praia fluvial da Peneda que àquela hora do banho se coloria e movimentava, atraiam o vistoso bairro da Boavista que, ao fundo, presenciava a animação que se estendia ainda até ao Cerejal. Sempre que contemplo este bairro, sinto-me voltar à infância pois, como sabes, morei lá, quase, desde que nasci, até aos meus doze anos de idade.

 

Após um tempo de contemplação, subi a escada da Ermida de Nossa Senhora de Fátima para uns minutos de meditação religiosa e voltei a descer pelo lado poente, avistando a mata do Carvalhal, graças a Deus ainda pujante de verdura, englobando o bairro de S. Paulo, com o progresso industrial ali à volta. Com o espírito em divagação, quase me perdi… Amiga. Mas não! Em pleno Parque, sentei-me num banco rodeado de arbustos, onde àquela hora nem uma folha bulia nos caminhos floridos que exalavam suave perfume. Um casal de namorados deliciava-se em sonhos de amor, à sombra das tiliáceas em flor, a irradiarem igualmente um cheirinho aprazível. Lá ao fundo, entre a ramaria, vi um senhor de meia-idade, sentado também num banco, tendo a seu lado um menino que deveria ter uns cinco ou seis anos de idade.

 

Dialogavam, pelo que me escondi por detrás de um alecrinzeiro que ali havia, para que não notassem que alguém os observava.

 

O menino, naquele momento, entregava uma flor ao senhor – dizendo:

 

-Tome, avô. É um amor-perfeito!

 

- Não devias tocar na flor que pertence ao jardim público. Na Escola sempre recomendei isso aos meus alunos. Mas fico contente por ser lilás, da cor da Saudade! Também gosto das violetas, flores muito pequeninas, roxas e brancas que se escondem na verdura dos canteiros e derramam um perfume delicado.

 

- Já sei quais são. Mas agora não há e tenho pena de não achar uma para lhe dar. Queria ver o avô mais contente e feliz!...

 

- Feliz, João Carlos, já não serei mais! Sabes o avô perdeu a forças de repente; e agora, já velhote e doente, se não fosse a minha bengala que me ajuda, já não poderia vir contigo para este local, tão bonito!

 

- Então o avô esteve no Hospital e não lhe fizeram nada?! Os Doutores não souberam cura-lo? Quando eu for grande, quero ser médico para tratar do avô, que precisa de caminhar na rua, como as outras pessoas.

 

- Os médicos não puderam tratar-me, João Pedro, e por isso tu és a minha única alegria e fazes com que os meus dias não sejam tão tristes. Sinto saudades do meu tempo passado, de quando era professor e dava aulas na vila, mas tenho-te a ti, para me distraíres e consolar as mágoas que já são muitas. Se não fosses tu, apetecia-me fugir do mundo…

 

- Não digas isso, avô. Tome lá dois beijinhos, que quero vê-lo contente.

 

- És o meu melhor amigo, João!

 

- E não se engana, avô! Mas agora vamos os dois comer a merenda. – Um pãozinho para si e outro para mim.

 

Que linda imagem de ternura tive a ocasião de presenciar naquele momento, Amiga! Logo pus mãos à obra e comecei a pintar a cena: um senhor de idade, doente e triste, sentado à sombra do arvoredo e uma encantadora criança a dar-lhe uma flor e um beijo!         

Depois de executada a pintura com passarinhos e tudo… fixei-a contente, comigo própria. E que expressiva ficou! Dava até a impressão de estar perante um quadro de Natureza viva. Radiante de felicidade, conduzi, então, o trabalho para casa às escondidas da minha mãe. Ficou magnifico! Que maravilhosa surpresa arranjei para o dia do aniversário dela. Prenda melhor não conseguiria para esse dia memorável de 13 de Março: uma Flor e um beijo!

  

                                  

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5.11.09

 

 

                                                                                                                                                   

                                    MURMÚRIOS DO CEIRA

 

                                                                    V

 

                                    TRADIÇÕES DA BEIRA

 

          A Terceira Idade é um livro de ensinamentos que a mocidade deveria ler, cuidar e ter de perto. C.B.S.

 

                                   

 

 

O Sr. José Augusto, apenas ficara viúvo em terras da Beira – região de Coimbra – teve de ir viver para casa de sua filha que residia em Aljezur, onde havia casado com um comerciante daquela localidade do Algarve, Custou-lhe bastante ter de deixar a sua casa, as suas terras, os seus amigos. Mas teve de ser. A idade assim o permitia, A sua filha e genro tinham só um filho, ainda garoto, mas muito bondoso e extraordinariamente inteligente.

A casa situava-se nos arredores da vila e possuía um quintal airoso, no qual o Sr. José Augusto passava as tardes à sombra das árvores de fruto. Aquele ambiente pitoresco e soalheiro ajudava-o a mitigar as saudades que sentia do campo. Paulo Jorge, de regresso da Escola, vinha sempre para junto do avô fazer os deveres. Com a natural curiosidade de todas as crianças, pedia muitas vezes ao avô para que lhe contasse histórias e factos passados na sua terra, em tempos mais antigos.

Aproximava-se o Natal e o menino queria saber os costumes da quadra na terra do seu avô e certo dia perguntou-lhe:

- Avô, fale-me do Natal e como se festejava ele na Beira ou melhor, na sua casa?

 

- Sim, posso satisfazer a tua curiosidade. Nós tínhamos várias propriedades que agora estão por lá cheias de silvas a provocar incêndios. Possuíamos alguns animais para consumo da casa e fazerem estrume para as terras. Chegámos a ter uma égua para puxar a água do engenho. Cabras, ovelhas, coelhos, porcos e galinhas. Uma pequena empresa agrícola e pastoril, como agora se diz. Um criado e criada, que tratávamos como família, ajudavam-nos nestas lides. Ah, como sinto pena das fazendas que trazia cultivadas como jardins!

Lá em casa matavam-se sempre dois porcos, por ano, que se guardavam numa salgadeira, e dali se iam comendo moderadamente.

- O que é uma salgadeira, avô?

- A salgadeira era uma arca de madeira, na qual se colocavam as peças de carne com bastante sal para se conservarem. Hoje, com mais vantagem, usam-se as arcas frigoríficas. Como ia dizendo, era habitual matar-se um porco na véspera do Natal que, previamente se engordava para esse fim. O dia da matança era o dia de festa.

- Coitadinho do porco!

 

- Dizes bem, mas também nós temos de morrer.

De madrugada, chegava o matador, que nesse tempo era o “Ti Ilídio” que Deus lá tem à nossa espera. Eu e mais dois vizinhos ajudávamos à tarefa. A tua avó trazia um alguidar para se aproveitar o sangue para as morcelas e, nessa altura, tínhamos de ser fortes.

Quero ainda dizer-te que o “TI” Ilídio era moleiro da terra e por vezes engraçado. Quando passava com o seu burro carregado de saquinhos de farinha, costumava parar junto das pessoas amigas e dizia para o burro: cumprimenta estes senhores e ele baixava a cabeça…Tenho este caso verdadeiro na memória.

A tua mãe e o teu tio que está na América do Norte, não gostava de ouvir o triste grunhir do porco e refugiavam-se num comportamento da casa a taparem os ouvidos com os dedos da mão…

Depois de morto, chamuscava-se no pátio com giestas secas. Hoje faz-se esse trabalho através de maçaricos a gás. Após queimados os pelos, escovava-se com água, até ficar a pele muito bem lavada. Seguidamente levava-se o “defunto” para uma loja e pendurava-se lá numa trave com a ajuda duma peça de madeira forte, que tinha o nome de chambaril.

Estás a rir, por ouvires dizer: “defunto”?

- Escuta, então: Em casa do meu avô, da Samoura, assisti muitas vezes a este acto, em que quatro homens o conduziam seguro pelas patas e o meu avô os seguia com certo ar de humor, dizendo a cantar:

-Ora, atrás dele!... Ora, atrás dele!

O porco era, então, aberto para se retirarem as banhas, o fígado e as tripas. Estas vinham imediatamente para uma gamela e a tua bisavó encarregava-se de separá-las: ou seja, extrair-lhes o entretinho e o lenço, que é uma parte rendada que envolve os intestinos.

Também nós possuímos estes mesmos órgãos, mas com outros nomes.

As tripas no fim de estremadas, iam ser muito bem lavadas com sal e limão na Ribeira do S. Paulo para depois, com aquelas gorduras se fazerem as morcelas. Das tripas que restassem, e com outras que havia à venda, se fazia o enchido.

- As banhas também se comem, avô?

Lá em casa costumavam-se derreter assim: colocavam-se em pedaços grandes num tacho de ir ao lume e ia-se retirando a gordura para uma panela de barro vidrada. A esta gordura dava-se o nome de pingue e utilizava-se nos guisados, fritos e até na sopa de vagens. Depois de extraída gordura das banhas, ficavam no tacho uns torresmos a que dávamos o nome de picanarizes. A tua mãe gostava muito deles bem fritos e eu também. Esqueci-me de dizer que era habitual fazer-se um golpe nas costas do animal, do cimo ao fundo para todos verem e admirarem e espessura do toucinho – exclamando:

Está bom! Vejam como estava gordo!

Cheguei a matar porcos com catorze arrobas!

Realizada a primeira tarefa, íamos todos para a mesa almoçar caldo de arroz e cebola que a tua avó preparava com requinte. Entretanto, a tua bisavó começava os preparativos para confeccionar as morcelas doces, muito deliciosas, só semelhantes às afamadas Arouca.

No dia seguinte, à noite, o porco saía do chambaril para ser cortado em pedaços. De algumas peças se faziam pedacinhos pequenos que eram postos numa grande gamela, temperados com azeite, vinho, alhos, colorau e erva doce etc. Oito dias ficavam a marinar, para depois se juntar farinha e realizar-se o enchido que se colocava debaixo duma grande fogueira, a secar no fumeiro. Chegámos a fazer cem peças de chouriços e chouriças.

Os chouriços eram direitos e as chouriças curvas. Havia ainda uma peça maior chamada palaio e destinada a tempero regular da sopa.

Os presuntos, as pás, a cabeça, os pés, etc. colocavam-se na salgadeira, como já te disse. Após terminada a tarefa, seguia-se a lauta ceia, que já metia os tradicionais torresmos feitos numa caçarola na fogueira, regados com o bom vinho da nossa adega. Nessa noite não podia faltar o bacalhau graúdo e branquinho, que nesse tempo havia, com batatas, cabeça de nabo e couve tronchuda do quintal. Era uma maravilha! A mesa estava repleta de tudo, não faltando as filhós e as rabanadas.

- E diga-me avô, o Menino Jesus não vinha lá de noite pôr coisas lindas na chaminé?

- Pouca coisa, Paulo Jorge. Mas, claro que vinha. O teu tio, em vez de colocar a bota dele na chaminé, ia sempre colocar a minha que era bastante maior…

- Boa ideia, avô, para eu seguir o exemplo.

- Dia de Natal reunia-se em nossa casa a família toda. Vinham os meus pais, os meus sogros, irmãos, cunhados e sobrinhos, alargando-se a mesa para todos caberem bem. Após a chegafa da missa, que alegre confraternização se fazia! Ah, como sinto saudades!

Quero ainda contar-te que, nessa altura da matança, havia o costume de se obsequiar a vizinhança que não estava de porco morto, com um pratinho de carne fresca para torresmos. Era uma tradição bonita e amigável! Por vezes eram tantos os pratos a preparar, que quase nenhum lombo restava para assar no forno, destinado a conserva. O porco contém ainda dois órgãos de carne muito tenra, que se chamam lombinhos. Nunca me lembro de os comermos lá em casa. Eram sempre para oferecer. Um para o Presidente da Câmara e o outro para o nosso médico.

- E porque os davam sempre?

- Olha, porque lhe devíamos favores. O Dr. Bernardo nunca nos levava dinheiro pelas consultas e era médico muito interessado pelos doentes. A qualquer hora do dia ou da noite acorria sempre e de bom grado, a socorrer quem dele necessitasse. Até vinha a nossa casa dar injecções, se preciso fosse. Centenas de vezes calcorreou a serra de noite, montado no seu cavalo, porque um doente mísero ou remediado o esperava com ansiedade. Foi ele quem salvou o teu tio duma grave doença em que esteve prestes a morrer numa noite de Natal. Que Deus o tenha na sua glória, pelo Bem que fez à humanidade do meu concelho.

Hoje o nível de vida das pessoas é muito melhor, mas é pena que os serviços de saúde, nas vilas e aldeias, não acompanhem, o progresso. Pelo menos nas aldeias serranas, onde quase já só vivem idosos e poucos, sofre-se ali muito. Vale ainda a vizinhança amiga, que se protege uns aos outros.

Na Aldeia de Vale -Torto, lá para os meus sítios, de Góis, imagina! Só lá vive agora uma senhora, sem ter um vizinho sequer, que lhe sirva numa aflição. No Verão, a terra movimenta-se um pouco mais. Coitada da senhora! Vale-lhe o ar puro da serra do Penedo, que tem por companhia.

Os modernos Centros de Dia e Lares estão também a suavizar um bocadinho o desconforto, Mas as Escolas fecham-se por falta de crianças e não há nada que faça dar vida nova àquelas terras.

 

-Retrocedendo um pouco, daí a um mês, pouco mais ou menos, fazia-se nova reunião de família para a festa do “ bucho, como se dizia.

- Mas o que é o bucho, meu avô?

- O “bucho” chamávamos nós ao estômago do suíno. Depois de muito bem lavado com sal e limão, enchia-se com pedacinhos de carne, chouriço e arroz. Muito bem temperado, atava-se com uma guita e cozia-se, então, numa panela. Havendo o cuidado de o não deixar rebentar, a fim de vir inteirinho e apetecível para a mesa. A sopa deste dia era muito gostosa, contendo carne fresca, chouriço, cabeça de nabo e a boa couve tronchuda. A tua avó fazia, neste dia, um arroz doce, que era de comer e chorar por mais…

- Nesse tempo, avozinho, as famílias eram muito mais amigas!

- Dizes bem. Paulo Jorge. Nesse tempo existia uma interligação familiar muito forte.

Hoje não é assim. As pessoas correm todas de um lado para o outro, quase sem tempo algum de se estimarem e conviverem. Os meus pais e sogros viveram sempre felizes até à idade de oitenta e tal anos, pois os filhos e netos os rodearam de amor e carinho até ao fim da sua vida.

Presentemente existem os Lares que resolvem alguma situação, mas não chega, porque são casas de “estima emprestada”… e de menos carinho. E, agora, até já são muito caros e com poucas vagas.

- O avô é que não precisa de ir para nenhum Lar!

- Graças a Deus!

- Sabe, meu avô, gostaria também de ter nascido nessa época e nessa sua terra para viver assim o Natal, com muita alegria e bastante família à volta da mesa. Deveria ser animador!

- Era, sim, Paulo Jorge. Contei-te costumes do Natal. Outro dia ficarás a saber também as tradições da Páscoa na minha Beira.

- Gostei muito da história, que é verídica, meu avô. Só é um bocadinho triste por termos de sacrificar um animal para sustento e regalo das pessoas. Contudo, talvez dê para fazer uma composição.

Há dias fiz uma sobre a tortura e morte dos touros em Barrancos e não só. A senhora Professora apreciou tanto que até me deu os parabéns e pôs no trabalho: um bom com distinção.

 

 

 

- Também não gosto de touradas, Paulo Jorge. E agora muito menos, com uma lei bárbara de massacra-los até à morte. És um neto maravilhoso e orgulho-me muito de ti, por teres também um generoso coração!

 

                                  

 

 

 

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3.11.09

 

 

                                      MURMÚRIOS DO CEIRA

 

                                                     VI

 

                          O MEU PRIMEIRO DIA DE AULAS

 

                                    O bom professor também precisa do bom aluno. C.B.S.

 

             

 

                                                

 

 

Já lá vão algumas décadas que numa manhã radiosa de sol, em que o calendário indicava 7 de Outubro, preparava-me para dar entrada na Escola Primária. Acompanhou-me a nossa serviçal Alzira que Deus lá tem; uma jovem de 21 anos que me viu chorar desde que saí de casa, até à porta da Escola. Lembro-me que lhe disse:

Fica comigo… Mas ela tinha de regressar a casa para os trabalhos domésticos e do campo, que a minha mãe, antes de ir para a loja, já lhe havia destinado. (Eu sou a mais pequena que está de escuro na pontinha do lado direito.)

Coitada, por ter de ir servir cedo, não teve acesso às letras e não chegou a aprender a ler. Não atingiu esse grau mínimo de instrução, porque, entretanto, casou e eu não tive tempo de lhe curar a “doença” do analfabetismo…

A senhora Professora, como nós a tratávamos, era nesse tempo a D. Anália Tomé, que me recebeu assim:

-Dá cá um beijo e senta-te ali na carteira, ao lado da “Lila” Candeias. Mas porque estás triste, Clarisse?

- Porque não gosto daqui, senhora professora – respondi.

A Escola, onde funciona agora a Junta de Freguesia, era dividida em duas partes, independentes. Numa sala estavam as meninas e na outra os rapazes que tinham por mestre o Sr. Professor Serafim Marques Gomes de Araújo. Penso que alguém ainda se lembrará deles, pois enquanto brincávamos no intervalo, eles passeavam à volta do Edifício Escolar, em amena conversa.

Havia na Escola umas “orelhas de burro” cor-de-rosa, para castigo das menos atentas às aulas. Parece que estou a ver as meninas com elas enfiadas na cabeça em cima de um estrado, com modos tristes de enfado…

Muitas vezes a senhora obrigava-as a irem colocarem-se com elas à porta da sala dos rapazes para eles se rirem… Nunca me lembro de tê-las na minha cabeça, com certeza, por ser bem comportadinha de fazer por estudar muito, de madrugada para que ficassem os estudos melhor gravados na memória. Gostava muito de História e aritmética. Foi por isso que, no dia do meu exame, brilhei no quadro a fazer os quebrados e complexos.

Existia ainda a palmatória de “cinco olhos” que um dia desapareceu….

Porem, também não me recordo de alguma vez, a sentir na minha mão e custou-me um dia, já na 4ª classe, a mando da senhora Professora ter de dar algumas leves… reguadas a todas as meninas por não saberem a tabuada que eu tinha toda encaixada na cabeça. ´

E que a nossa mestra era muito briosa e arreliava-se bastante se as suas alunas não correspondiam ao seu esforço de ensinar, chegando a dar-nos aulas particulares.

Em casa, tinha a minha mãe, que sabia ajudar nas lições, e ai de mim e do meu irmão que não aprendêssemos também as regras da boa educação. Era já um rapazinho adolescente, o meu irmão, e o nosso pai prendi-o com uma linha fina, por detrás do balcão da nossa loja de comércio, na qual se vendia de tudo, desde os carros de linhas aos bicos de arado… Para , de manhã, o acordar, um copinho de água pelas costas abaixo… Era este o despertador que o nosso pai usava… À noite, não havia autorização de rua para ninguém.

Mas volto a referir-me aos estudos. Hoje, com o desregramento dos costumes entre a nova juventude, quer creiam quer não, os comportamentos alteraram-se e o respeito devido deixou de funcionar. A promiscuidade e a confusão indistinta que se verifica hoje nas Escolas e recreios, também contribuem para a desordenação do sistema.

Ouço dizer e leio nos jornais, que cada vez há mais insucesso escolar e os professores não conseguem pôr os alunos a estudar com atenção, e são por vezes desrespeitados e até agredidos por eles. Por outro lado, há também professores novos que não se mostram muito exigentes na missão de leccionar. Há meses num concurso de dinheiro, apreciei uma concorrente atrapalhada, porque frequentava um curso superior e não conhecia o cognome do nosso rei D. Sebastião. Outro, que até acertava bem em cultura geral, mas não sabia qual a última das três pessoas da Santíssima Trindade… nem nunca ouvira falar no Espírito Santo. Que atraso de cultura religiosa!

Em casa não há tempo e, raramente, ambiente adequado para explicações de toda a ordem e troca de um diálogo são, mas era ali, obviamente, que se deveria começar a formar a mente das crianças e dos adolescentes que precisam de afectos, mas não podem mimar-se em demasia, concedendo-lhes liberdade ilimitada e dinheiro a mais nos bolsos. Há zonas tão vulneráveis e susceptíveis a críticas, que o professor é um herói a conseguir o objectivo de dominar os seus alunos que trazem da rua novos fenómenos que têm de enfrentar e saber combater com rigor e afecto. Todos os professores deveriam saber algo de psicologia. A fim de simultaneamente analisarem também problemas psicológicos do estado de saúde mental dos seus discípulos e, por fim, tratarem das suas faculdades morais e intelectuais, como sejam a ciência da alma, que é pura de essência e, tantas vezes, uma luz brilhante a extinguir-se num corpo por acabar de se formar…

A insegurança nas Escolas e, até, a criminalidade avança a olhos vistos. Por este andar, quem quererá ser professor ou professora amanhã? Estou a lembrar-me do caso impressionante ocorrido na Alemanha no mês de Abril de 2002 em que um estudante expulso matou cruelmente catorze professores, dois alunos, um polícia e por fim suicidou-se!

Duma família sã, cuidadosa e modelar, fazendo elo inquebrantável com a Escola, (pais e professores) é que surgirão pessoas íntegras e cultas no futuro. O Lar é a primeira Escola da Vida que deve ser regida e exemplificada, desde a meninice até à juventude.

A inteligência, a bondade e a nobreza da alma poderão cedo começar a cultivar-se, e porque não, aulas de Educação Social a novos pais? Se podem tirar horas de serão para se verem telenovelas, quanto mais útil não seria aproveitar-se esse tempo para uma hora de estudo e reflexão do espírito?!

Não nascemos para génios, mas poderemos transcender dos limites do quotidiano, afim de estarmos aptos a auscultar a tendência dos infantes e a firma-los em alicerces de bases sólidas para um melhor futuro deles e de toda a Humanidade. Uns vão… e tantos cá ficam sem saberem o caminho recto que hão-de trilhar…

Eis um caso interessante: ouvi dizer que em certo lar, a televisão fecha-se todos os dias um bocadinho para diálogo de família e falar de Deus. Que bonito!

 

Não gostei de entrar na Escola Primária, e depois vim a gostar muito. Tanto que fiquei mais um ano a ajudar a senhora Professora, mas sem ganhar nada… O meu pai queria que eu não esquecesse o que tinha aprendido. É verdade, que tinha em Coimbra o meu padrinho a dar aulas num Colégio de família, mas era só de rapazes e nesse tempo era muito difícil voar alto…

Já agora, gostaria de deixar aqui gravado, no meu modesto livro, a história e o nome de um Homem que admiro muito, pela sua tenacidade, forte vocação para as letras e se chama: JOÃO ALVES SIMÕES:

 

Nascido em Ponte do Sótão, freguesia de Góis, em 15 de Junho de 1940, saiu da terra aos onze anos de idade, levando por bagagem, a sua distinta quarta classe, para ir empregar-se como aprendiz numa retrosaria, em Lisboa. Logo as saudades o fazem voltar à aldeia, até com a ideia de ser carpinteiro. Passados alguns meses, regressa a Lisboa para ir trabalhar num armazém de Produtos Químicos e Farmacêuticos, Daqui, surge um conhecimento com a Cª Nacional de Navegação e solicita um emprego como “grou”, mandarete e faz a sua primeira viagem ao Brasil no paquete Vera Cruz, Depois é moço ajudante de copa e empregado de mesa na messe dos oficiais. Em 1961 é já tripulante, ascendendo gradualmente na Classe das Câmaras, percorrendo muitos países de quatro Continentes.

Torna à terra em 1962 e inicia aqui em Góis e Arganil os seus estudos liceais. Em 1963 regressa ao mar, embarcando no navio tanque “Fogo”.

Em Janeiro de 1964 volta ao Colégio de Arganil e chamam-no de Lisboa para cumprir o serviço militar. Colocado em Elvas, vai, daqui, fazer o exame do 5º (Secção de letras) na Figueira da Foz. Como Sargento M. esteve também em Mafra, Tavira e por fim Lamego, de onde saiu para ir servir o Ultramar. Entretanto, vai estudando, Promovido a furriel Miliciano em 1965 desembarca em S. Tomé e Príncipe, e em 1966 completa o 5º ano (ciências) em S. Tomé.

 

Em 1967 regressa à Metrópole, passa à disponibilidade e é nomeado Ajudante Oficial na Alfândega do Porto, onde reside e permanece nesta actividade até 1983.

 

Em 1971 casou em Coimbra com Maria Regina Aguiar e em 1973, após ter concluído o exame do 7º ano, é admitido na Faculdade de Letras do Porto, que frequenta até 1978, como aluno voluntário/trabalhador, a Licenciatura em História, que termina em 1978, com boa classificação, permitindo-lhe continuar na Universidade, os estudos de Pós – Graduação e Mestrado. Desde essa data até 1995 é professor provisório e efectivo em várias Escolas Secundárias do Norte, e não só, apresentando valiosos trabalhos e estudos de investigação.

De 1994 a 1996 – faz o curso de Pós-Graduação em Musecologia, na Faculdade de Letras da U. do Porto. Depois até 2000 é admitido, frequenta e faz o “Mestrado”, em História Contemporânea, com a dissertação: “Os expostos da Roda de Góis” 1784. 1841” na Faculdade de Letras da U. do Porto, no dia 13/03/2000, com a classificação de BOM COM DISTINÇÃO.

Continuando a sua carreira de Professor efectivo, foi-lhe concedido, em 19 de Março de 2002, o direito à aposentação e passa à situação de Professor Jubilado.

Em 12 de Julho de 2002, o seu trabalho de tese, -“Os Expostos da Roda de Góis (1784 – 1841” ) livro interessantíssimo, de grande formato, com cerca de 200 páginas, trabalhoso, bem concebido e, até, curioso, foi apresentado( no novo e bonito Auditório da “Casa do Artista”) em Góis, na presença de distintos professores da Universidade do Porto que muito o elogiaram, pelas Autoridades Camarárias de Góis, muitos amigos e duma população Goiense, orgulhosa por ter o Senhor Doutor e Mestre João Alves Simões valorizado a nossa cultura, que pensa, com a sua energia, continuar; pois tem cerca de 20 trabalhos de carácter científico, sobre a região de Góis e outras, que sonha publicar.

 

Tive neste dia, o gosto de felicitar sua mãe, que certamente chorou de alegria e comoção, vendo o seu filho, que lutou sozinho, nos píncaros da lua!...

 

Jovens da nossa terra, – e não só – coloquem aqui os vossos olhos… inspirem-se e trilhem por estes caminhos árduos, é verdade, mas muito gratos e dignificantes. Isto é, apenas, um resumo… de uma carreira brilhante, de um GRANDE EXEMPLO a seguir.

Também eu gostaria de ter seguido os meus estudos, como já disse, mas faltaram-me as “asas”… e aos meus pais os meios necessários para voar…

 

                                                 

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