12.9.09

 

MURMÚRIOS DO CEIRA

 

XXIV

 

A BOTINHA VAZIA

 

A infantilidade pobre, julga-se com os mesmos direitos

dos ricos e não se engana. C.B.S

 

 

 

 

 

 

O Armando José, sacrificado por um distúrbio familiar, teve de ir viver com a sua avó materna, já viúva, que muito estimava. No entanto, devido aos seus modestos recursos, não podia ela dar-lhe os mimos que as outras crianças da sua idade usufruíam.

Este, que tinha oito anos e andava na Escola frequentando do 2º ano, ouvia falar muito no Menino Jesus e até mais no Pai Natal, que vinha trazer prendes, coisas bonitas que ele nem sabia bem o que eram…

Numa noite de Natal, sem que a sua avó soubesse, quis também experimentar e ver se o Menino Jesus, ou aquele homem vestido de vermelho, de barbas brancas, que ele vira já na Televisão, vinham dar-lhe algum presente e colocou a sua botinha rota na chaminé da cozinha.

Quase não dormiu nada nessa noite, a pensar no que iria receber. Pela manhã foi a correr à lareira, afim de certificar-se da prenda que lhe coube, por sorte. Que decepção! A sua botinha não tinha nada dentro!

Desiludido e triste, não foi lamentar-se à sua avó. Magoada andava ela com a sua negra vida...

Teve então uma ideia luminosa! Decidiu ir conversar com Jesus no Presépio, que tinha no quartito, e falou assim, acompanhado do seu cão que também, muito atento, ergueu as suas patinhas…

- Menino Jesus, bem sabeis que sou uma criança pobre, que não teve prenda alguma de Natal. Dizem que sois tão bom e amigo de todos nós, mas porque dais tantas coisas aos outros meninos e a minha bota não tinha nada dentro?

- Conta a lenda que a imagem de Jesus, fitando muito os seus olhos no Armando e até no cãozinho, falou assim:

- Tens muita razão! Nem sabes a pena que sinto ao ver, por esse mundo além, tantos meninos a chorarem como tu. “pais natais” são apenas figuras alegóricas e abstractas que o mundo consumidor inventou. Nada disso tem a ver comigo nem com o espírito Natalício. As prendas que muitos recebem, não sou eu quem as dá, acredita! Se fosse eu, naturalmente, contemplaria todas as crianças sem deixar nenhuma presenteada. Nem eu daria pistas de aviões e brinquedos caros a uns e a outros carrinhos de lata, percebes?

- Mas falam também em vosso nome, – disse o Armando José, fixando muito os seus olhos na imagem – que respondeu assim:

-Pois falam, porque o mundo não acredita nas alegações que diz… Ultimamente, já estão a lembrar-se menos de mim e o que querem é festa… Mas sossega, que todas as crianças da Terra, que não têm o preciso para viverem felizes, hão-de receber um dia no Céu uma enorme “chaminé” de lindos presentes! E a propósito: - hoje, mesmo, irás receber uma coisa que te deixará muito feliz!

Na tarde desse dia de Natal, alguém bateu à porta… Era uma senhora da Conferência de S. Vicente de Paulo, a quem o Senhor bateu no coração e vinha trazer umas botinhas novas, cheias de rebuçados para o menino que ficou radiante de felicidade! Voltou depois para o quarto e, muito reconhecido – deu graças ao Senhor, deste modo:

- Meu Jesus, quero dar-vos um beijinho por terdes sido meu Amigo neste dia de Natal! Uma senhora veio trazer-me as botas que tanto precisava. Mas eu sei que fostes vós, quem a mandou vir cá. Obrigado, Senhor, por mim e por minha avó, que ficou também muito contente.

Jesus sabe, perfeitamente, que os supérfluos repartidos, dariam para contemplar as crianças mais carenciadas do mundo inteiro. E é por isso que, quando vem à Terra, olha com muita ternura e Amor para todos os meninos e meninas, e não só para alguns… como erradamente, se dá a perceber!

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