12.1.10

 

 NOS 25 ANOS DO FALECIMENTO TRÁGICO DA NOSSA GRACINHA

 

 

SINGELA HOMENAGEM DA TIA E MADRINHA CLARISSE

Góis, 8 de Fevereiro de 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

Coordenação de:

 

 

CLARISSE BARATA SANCHES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Colectânea

 

 

de

 

 

Saudosas Memórias

 

 

 

 

 

Góis - 1985

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

Dezoito de Junho de 1961, era um Domingo ameno e esperançoso. Ao fim da tarde soubemos, com prazer, que tinham nascido na Maternidade em Coimbra duas meninas.

 Antevia-se já o nascimento na família de duas crianças gémeas, mas saber que eram duas bébés, foi para mim motivo de muita felicidade. Sempre gostámos de crianças e um par de meninas vinham alegrar a casa e a família, como disse numa poesia que publiquei em 1964, num jornal de Águeda, intitulada "DUAS FLORES".

 Havia já o Nandito com cerca de quatro anos que, quando as foi ver me disse: - São muito pequeninas... E eram realmente; a Célia pesava  2,700 k. e as Graça 1,700 k.

Parece que estou a vê-las chegar a Góis numa ceirinha! A Célia trazia já o seu nome escolhido, e a Gracita, mais miudinha e com pouco cabelinho, ainda se não sabia a sua "Graça". Ao cimo da escada saudamos os dois anjos com maravilhoso carinho.Elas iam para estar um tempo em Bordeiro, em casa da avó materna.

E foi à última hora de a registar no Civil, que se optou pelo lindo nome de Graça Maria.

No dia 13 de Maio de 1962, realizaram-se os baptizados das manas. Fui eu a madrinha da Gracita, que não sei por que preságio ou motivo chorou todo o santo caminho e na Igreja Matriz durante o solene acto, efectuado ainda pelo saudoso Padre Belarmino Soeiro.

Quem havia de premeditar que viriam a ter a sorte de serem chamados à presença de Deus no mesmo dia - 8 de Fevereiro de 1985.

Em crianças e adolescentes, depois, a sua mãe tivera sempre o fino gosto de as trazer vestidinhas de igual e com muita graciosidade. Algumas pessoas tinham dificuldade em as distinguir. Deram alguns cuidados, certamente, mas eram os nossos amores, a nossa alegria e a nossa esperança!

 

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Com cerca de 5 anos, chegaram um dia da Escarnida, muito contentes, porque diziam ter visto no Céu a Nossa Senhora!

Concluindo o nono ano de Escolaridade em Góis, não desejando a Graça seguir mais estudos, ficou na padaria a auxiliar o pai e acompanhava-o quase sempre nas vendas de bolos a Coimbra.

Se o carro regressava completo de pessoas, ela dava sempre o seu lugar e vinha de pé da melhor boa vontade, Na padaria havia nela a cada momento um sorriso de agradecimento para com todos. Muito simples e concentrada, era dócil e submissa para com os pais.Enfim, nem parecia jovem deste tempo.

De temperamento alegre, principalmente para com as crianças, que acalentava de maneira cativante. Os seus sobrinhos Paulo e Catarina e até o primo José Diogo, eram o seu enlevo.

Muito amiga dos primos Cocas, Ana e Carla, era leal companheira das colegas, Que o digam as manas da Havaneza, a Tita e a Nana, a Tila, a Laidinha, a Isabel Maria, a Guida, a Gina, Bélita, Tina, Zézita, a Zá, Graças, a Isabel Rosa, Luciana e muitas mais.

Socialmente defendera sempre o direito à vida no início de gestação, até uma protecção mais cuidada da Terceira Idade.

Devota da Virgem Maria, fora a Fátima a pé em Maio de 1983 num cumprimento de uma promessa que fizera pelo seu tio Adelino, Fez o trajecto radiante e era quem ia à frente da peregrinação mais uma moça de Vila Nova do Ceira.

De regresso em que o pai a foi buscar, subiu a nossa escada a toda a pressa para mostrar que não se sentia nada fatigada.

Chegou a frequentar a Escola de Música, possuindo já a sua viola, que hoje nos faz muita tristeza!

Tirou com a irmã o curso de Dactilógrafa e carta de condução, logo ao primeiro exame.

Numa saudosa manhã de Junho de 1984, veio dizer-me toda contente: - Conheci ontem um moço que é amigo do meu irmão. Vamos lá ver se nos entendemos.

Ao aceitar, depois, a fininha aliança de comprometida, contou que lhe disse em modo de brincadeira: - Mas eu quero ser livre como um passarinho.,,

Porém, o destino implacável não deixou concretizar o que a sua mente pura idealizava.

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Alma condoída, lamentava muitas vezes a desdita de tantos infelizes da terra e pedia-nos ajuda material para alguns que conhecia e gostava de proteger.

Que pena não teve ela do Victorzito de Bordeiro, que ia visitar ao hospital, afligindo-se muito pelo seu estado de coma. Ela foi para Deus quase do mesmo modo em oito de Fevereiro de 1985 e o Victor dia um de Abril, seguiu-a como anjo de paz na santa jornada.

Tudo isto nos parece ainda um grande sonho, o desalento duma família inteira, a dor profunda de uns pais que vêem desaparecer uma filha extremosa em plena mocidade, de maneira tão funesta e tão inesperada.

Nada fazia prever que, duma simples operação a um braço no dizer dos médicos, originasse tão triste destino..

Cena dolorosa que sua irmã gémea, a Célia com os seus pais acompanhou diariamente durante três meses, com lágrimas de sofrimento..

A Gracita, boa como era, e sofrer como sofreu, é merecedora do nosso respeito. E é por isso que, neste Ano Internacional da Juventude, será grato para todos nós que, aqui perpetuamos a sua memória, pelo nome digno que nos deixou aos 23 anos de idade, este livrinho, prova de humilde recompensa das suas virtudes morais e cristãs, lembrança exemplar para os vindouros..

Mas crentes, no entanto, que o galardão maior o receberá ela das mãos de Deus.

Ante a sua delicadeza de alma, erguemos ao Senhor uma súplica para que cheia de graça e elevada nas alturas Celestes, ela possa pedir por nós, por todos aqueles que lhe oferecem fllores e preces, pela nossa comunidade de Góis, e ainda pelo mundo inteiro, tão carecido de amor e fraternidade.

C.B.S.

 

  

 

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  MAS QUE SAUDADES!

  

Querida donzela vais

Umdia estrelinha nobre

E nem nos falaste mais.

Riqueza que nos fez pobre

Inda um Anjo que teus pais

Devolveram ao Senhor:

A filha do seu Amor!

  

 

Guardada no Céu com preito

Reliquia, disseste pura

Adeus ao mundo imperfeito

Com saudades e ternura,

Ilusão, sonho  desfeito,

Tanta dor e amargura

Anda dentro do meu peito.

 

 

C.B.S.

 

 

Boavista onde eu morava

Na minha infância querida

E a Gracita aqui passava

Quando ia à Escarnida.

 

C.B.S.

 

 

 

Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Por que é a vossa vida?

É um vapor que aparece um pouco. e depois desvanece...

S. Tiago - Cap. 4 vers. 14

 

 

AS DUAS FLORES

 

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 Gracita à Esquerda e a Célia à Direita

 

 

 

 

 

 

link do postPor canticosdabeira, às 18:08  comentar

De Américo Oliveira a 10 de Setembro de 2011 às 21:33
Boa tarde.
Estrou a utilizar esta caixa de comentários porque pretendia entrar em contacto pelo responsável pelo blogue e não encontro maneira diferente de o fazer. A razão é simples: fui aluno do Professor Anselmo em Granja do Ulmeiro (de 1960 a 1964) e foi um professor que deixou muitas saudades. Já depois de deixarmos a Escola Primária ainda o visitávamos na sala de aula! Lembro-me bem do "Sol Poente". Agora desconhecia as suas origens e fui surpreendido com a informação que aqui recolhi e pretendia entrar em contacto com o senhor para saber mais sobre o Prof Anselmo e também obter cópia de algum exemplar do "Sol Poente" ou, pelo menos, alguns dos seus poemas.
O meu e-mail é: americo.m.oliveira@gmail.com
Grato pela sua atenção.
Américo Oliveira

 
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