8.1.10

 

 

                                         

                                   

 

 

 

    SAUDADES DA TRISTEZA

 

 Quantas vezes suponho-te ouvir

 Naquele belo timbre chamar: - tia,

 E em nossa escada, à pressa, o teu subir,

 Que me dá uma súbita alegria.

 

 Depois vem de repente a nostalgia

 E o coração parece-me partir

Sdetitar na lou8ca fantasia

 E no sofrer atroz que te fez ir.

 

 Ai, tempo que passou e já não volta,

 Mesmo vivendo em sombras de ansiedade,

 Onde a minha ventura andou à solta!

 

 Se o dia de hoje é cheio de tormentos,

 Sucede que me faz sentir saudade,

 Tristezas que vivi noutros momentos.!

 C.B.S. -25-

                                                                                

    

    

 

       A MEU DEUS

 

 Meu Deus, só vós sabeis o que no peito

 Me fere noite e dia esta paixão!

 São as saudades dum amor perfeito

 Que me fazem doer o coração.

 

 

 A Gracita está bem, pelo seu feito,

 Todos me dizem com animação,

 Se na terra o seu sonho foi desfeito,

 Do Céu recebeu já um galardão.

 

 

 Meu Deus! Meu Pai! Não quero vacilante

 A Fé que tenho e recebi de Cristo,

 Quando abraçou por nós a Cruz um dia!

 

 

 Concedei-me, Senhor, a luz brilhante,

 Muita Esperança no além benquisto

 E a doce paciência de Maria.

 C.B.S.

 

 

                     AMIGA LEAL

 

 Alma bela gentil que ao Céu voaste

 Ao romper tuma triste sexta-feira,

 Se Jesus te pegou na mão fagueira,

 Foi porque o Paraíso conquistaste!

 

 

Como andorinha terna e prazenteira,

 Caem na terra penas que levaste,

 Quandfo em subidos voos, tu passaste

 Para a mansão eterna e derradeira.

 

 

 Graça, amiga leal de toda a gente,

 Um tesouro que tínhamos aqui,

 E que a sorte nos veio arrebatar.

 

Já não sei o que é ser-se contente,

 Todo o gosto morreu, quando te vi

 na Clínica, sem veres e falar!

  C.B.S.

 

     

 

 

       TANGERINEIRA SAUDOSA              

  Não gosto de te ver tangerineira

 Com tangerinas doces, amarelas,

 Saudades sinto, ter .te à minha beira,

 Porque a Gracita vinha sempre a elas.

 

 Trazia na mão linda a sua ceira

 Ou saco pra levar cheinho delas.

 Lá se encarrapitava, tão fagueira,

 E colhia pra todos das mais belas.

 

 Tangerineira triste! Meus carinhos,

 Onde agora só voam passarinhos

 E saltitam em castos devaneios.

 

 Se alguma vez na árvore os não vejo,

 Chamo pela Gracinha, solto um beijo,

 E logo me aparecem com gorjeios.

 C.B.S. -28-_

 

 

 

        SOL QUE NOS FUGIU

 

 - Sabermos te, Gracita, na amplidão

 Qual perfume que a Virgem glorifica,

 Eu desejava ter consolação,

 Mas os meus olhos choram inda em bica.

 

 

 Três meses vão! Minha alma te dedica

 Madrugadas de amor em oração!

 Ai, quem me dera a mim, Pérola rica,

 Dar suave calor à tua mão.

 

 

 Deisxaste o mundo nos teus verdes anos,

 Martirizada e vítima de enganos,

Terna flor em botão, que mal abriu...

 

 O teu olhar bonito de esperança

 No sorriso que temos na lembrança

 Era Sol que nasceu e nos fugiu!

 8-05-85 C.B.S.

 

    

 

               MÃOS DE FADA

 

 - Tu tinhas umas mãos lindas, de fada,

 Com dedinhos de muita habilidosa!

 Escrevias com letra bem traçada

 E fazias malhinha graciosa!

 

 Na Padaria a tua mão bondosa

 Dava a cada criança uma arrufada!

 E pão de véspera, minha linda rosa,

 Oferecias a gente precisada.

 

 Acabada a missão, pelo meio dia,

 Dizias sempre: - até amanhá, tia,

 Eu tenho de ir para a casa arrumar.

 

 Ao outro dia, em nosso quarto quedo,

 Tu vinhas sempre aos trocos, muito cedo.

 Como era doce e grato esse acordar!

  C.B.S. 30

 

 

 

    ERAS CÉU DENTRO DA GENTE

 

 Ai, quando me levanto de manhã,

 Só sinto em mim vontade de chorar

 Porque não ouço aquela voz tão sã

 Na Padaria, alegre e a aviar.

 

 E medito! Como esta vida é vã!

 Casa feita de areia a resvalar;

 - Mas para ti, Gracinha, alma cristã,

 Edificaste em rochas o teu lar.

 

 Se no meu coração estás comigo,

 Os dias ledos foram-se contigo,

 Portque tu eras Céu dentro da gente.

 

 Agora, peregrinos da tristeza,

 Esperamos que Deus, em fortaleza,

 Não nos deixe na terra órfãos somente.

  23-05-85 C.B.S. 31

 

    

À GRAÇA QUE PERDEMOS E À CÉLIA QUE TEMOS

           ( No dia dos seus 24 anos)

 

 Da vossa infência à juventude airosa,

 Na festa de anos era alegre o dia!

 Quando sempre versinhos vos fazia

 A desejar-vos vida radiosa.

 

 

 E nesta data triste e tão saudosa,

 Já só posso compor uma elegia,

 Por que para mais doce melodia,

 Falta-me linda pétala de rosa...

 

 

 Um raminho de cravos perfumado,

 E que lágrimas nossas vão regar,

 Com orações num dia tão lembrado,

 

 

 É o que posso, Graça, te ofertar,

 Num Céu com muitos anjos a teu lado

 E Jesus e Maria a acompanhar

 Góis, 18-06-1985 C.B.S.

 

Nota: Neste dia ficaste rodeada de flores que mãos amigas foram depor com muito carinho em romagem de Saudade, no Jazigo onde repousas serenamente.

 

           LUZ DO DIA

 

 Andaria o Senhor Jesus em lida,

 No seu jardim Celeste e perfumado!

 E eis que manda, um Anjo de partida,

 Buscar cândida Flor do seu agrado.

 

 Ao percorrer a Terra, lado a lado,

 Vê açucena branca em pura lida!

 Reflexos dum Céu lindio e anilado

 E na Graça sinais da escolhida...

 

 O Anjo diz então: - Graça Maria

 Põe-te nas minhas asas, sem receio,

 Que nõs vamos voar a altos Céus!

 

 Tu és a flor mais bela e luz do dia

 Que por desígnio santo às mãos me veio

 Para ir colocar aos pés dee Deus!

 C.B.S. - 33

 

 

              

                           As duas manas 

 

                 Um dia no Jardim Zoológico em Lisboa: Graça à

                       esquerda e Célia à direita.

 

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