6.9.09

 

                                                

 

                                                   GÓIS E SEUS POETAS

 

                                                           COM 2000 ROSAS

                                                        

                                                    NO ANIVERSÁRIO DE JESUS 

 

 

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                                                ASSINALANDI I SEGUNDO

                                                MILÉNIO, A PRENDA MELHOR

                                                QUE JESUS QUER TER DO MUNDO

                                                SÃOS ABRAÇOS DE AMOR

 

 

  

                                                                   I

 

                             ÁLVARO DE PAULA DE NOGUEIRA

 

Inicio a 2ª Edição do livro "Góis e seus Poetas", recordando o hino do antigo e garboso Rancho Folclórico de Góis, que ainda hoje se canta comovidamente, como preito ao autor da letra e música do saudoso Goiense Eng.º Álvaro de Paula Dias Nogueira.

 

O Ceira corre                                  

Muito mansinho                              

Pra nos ouvir                                  

Devagarinho;                                                                                                                    

Passa debaixo da Ponte              

Curvando a sua fronte

E ao Mondego irá contar

A ver sereias sem ser no mar.

O Ceira vai deslizando

E  o rancho assim cantando:

 

               Coro

 

Saudemos a nossa terra

Alegremente

Sempre dançando. 

O nosso Rancho de Góis

Festivamente passa cantando

                            

Pulsam nossos corações 

De gente moça, 

Botões em flor. 

Saudemos a nossa terra 

Com toda a força do nosso Amor. 

                            .

 

Vamos prá festa

Lá pró Castelo

Que linda vista

Góis é tão belo.

Queremos ter o condão

De alegrar a multidão

As pandeiretas sempre a vibrar

Que ares tranquilos farão troar.

Rapazes e Raparigas

Cantemos nossas cantigas.

_______________________________________________

 

 

       Clarisse e Judite - Rio

        

   

Numa tarde de Domingo, em pleno mes de Agosto, apeteceu-me ir, mais a Judite Raquel, para os lados da Escarnida, de tão saudosas recordações. Andámos... andámos com o Piloto aos saltos e em permanente abanar de cauda!... e chegámos ao Pego Escuro, um local pitoresco muito sombreado de verdes e a confinar com o Rio, que bem merece ser acarinhado. Àquela hora somente ouvíamos o cantar melodioso dos passarinhos na ramada; a água em cascata a deslizar no açude, o murmurar do Ceira a embalar no leito  dois barquinhos coloridos, remados por duas jovens. Observámos ainda algum que, por desporto, pescava no rio. Seria na procura das famosas trutas?

Havia um silêncio quase absoluto. Saboreando um pequeno lanche que levámos, inspirei-me em reminiscências de tempos idos e elaborei

 

ali este simples poema:

Restos de um moinho antigo,

Junto a um velho carreiro,

Lembram a mina em perigo

E a morte do Jorge "moleiro"!

Era o tempo do minério,

Ia sendo um caso sério:

Numa tarde em sol poente,

Eu andava aqui no rio,

Quando o barco do meu tio,

Se revirou de repente...



Momentos depois eu e a Judite deixámos o Pego Escuro. Passando pela Boavista, que estava repleta de automóveis, fixamos os olhos na praia fluvial da Peneda, agora embelezada de maneira original e admirámos o intenso movimento dos banhistas, muitos deles a descansarem no extenso relvado e a saborearem no Parque, em redor de mesas de pedra, a sua merenda.O aprazível Bar de petiscos sobre o

Bar de petiscos sobre o rio, dos Irmãos Figueiredos estava também cheio até às beiras... É verdade que nestes últimos anos a nossa linda vila de Góis, com o Ceira límpido e sereno transpondo a velha Ponte, "ex.libris" da vila, tem sido palco de atracções e diversões para os numerosos turistas que nos visitam. Encantados, pensam sempre em voltar e trazer Amigos. Para as crianças, principalmente, o rio é um sonho que os seduz! Bem-haja. Sr. Presidente da Câmara, Dr. José de Ascensão Cabeças pelo seu requintado gosto.

Em frente à Igreja Matriz compus mais este poema:

 

A Igreja e Capela-mor

Tendo aos pés o Rio Ceira,

Abriga Nosso SENHOR

E D. Luís da Silveira



Que em Góis tinha moradia,

Palácio de fino traço

Desta nobre senhoria,

Resta só o nome – Paço!



Igreja Matriz de Góis,

Obra notável que encerra

Relíquias santas, heróis

E os velhos donos da terra.



Foi Guarda-mor de D. João Terceiro,

E Poeta distinto D. Luís.

Refere de Resende "O Cancioneiro",

Diz também o Dr. Padre Dinis

 

 

 ===================================

 

                                                    II

 

                               

 

                                 D: LUÍS DA SILVEIRA

 

                              Seu Túmulo na Igreja Matriz de Góis

 

 

Segundo li no livro "D. Luís da Silveira, do Pe. Dr. António Dinis, o Conde da Silveira levou sempre uma vida faustosa e de certa ligação com a Corte. Conta-se que quando veio para Góis, em certo dia em que pescava à cana, um homem lhe perguntou se o peixe picava. Certamente, porque ainda nada tinha conseguido pescar, consta que lhe respondeu meio zangado:

 

- Homem eu perco tempo e não peixe...

 

Refere ainda o livro acima citado, que o Poeta D. Luís da Silveira "gostava de versejar nos serões para galanteio de damas e também num desejo de amostra de amor "cavalheiresco". Eis um pequenino trecho de um poema seu:

 

"Senhora, pois que folgais

Com meu mal, não me mateis,

Porque quanto alongais

Minha vida, tanto mais

Vossa vontade fareis."

 

Uma poesia mais de D. Luís da Silveira, que, conforme l, escreveu à beira do Rio Ceira. Desde sempre que o Rio, pelo seu encanto, inspira os poetas. Possivelmente começou por ser uma ribeira:



Ao longo desta ribeira

Vivo vida descansada

E a derradeira;

Esta é vida verdadeira

Para quem já não quer nada:

Não tenho já esperança

De Senhor ou de Senhora 

Nem mais bem-aventurança

Que estão já delas fora...

 

........................................

 

Mais Poetas Silveiras houve então,

Na família do Conde da Sortelha.

D. Simão da Silveira, um seu irmão,

Que ao referido vate se assemelha.

 

O rico Mausoléu Renascentista,

Adornado das cenas da Paixão,

Dizem que a obra de excelente artista,

Ímpar, por certo, nesta região.

C.B.S.

 

ooooooooooooooooooooooooooooooo

 

                                               III

 

                 ANTONIO FRANCISCO BARATA

 

         E A BIBLIOTECA M. DE GÓIS EM SUA HONRA

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Com o sol quase a esconder-se no horizonte, nos, que tínhamos delineado ir também nessa tarde ao Parque do Cerejal, que funciona como seja a sala de visitas da vila, com a bela praia de Santo António, decidimos adiar o passeio para outro dia, não sem antes recordar um ilustre Escritor Goiense - António Francisco Barata, autor  de uma vastíssima obra literária que muita gente desconhece. Também eu só possuo a obra histórica "Um Duelo nas Sombras" e li um há muitos anos, um volume que tratava de memórias de Coimbra..

Foi também poeta de mérito, deixando um interessante poema "Lembrança da Pátria Góis, publicada a 1ª Edição em Évora em 1899 com o pseudónimo de "Bonifácio Tranca-Ratos". Este escritor nasceu em Góis em 1-1-1836. Viveu muitos anos em Évora, onde exerceu o cargo de Director da Biblioteca Municipal, desenvolveu estudos da sua actividade literária e morreu em 23-3-1910.

Acompanhando-nos hoje, neste passeio a Revista Cultural "Arganília" nº 6 e 7, consagrada a Poetas da Beira Serra, deparámos, com agradável surpresa, num poema de António Francisco Barata e dedicado a Góis. Dele extraí algumas quadras todas elas em versos hendecassilábicos (Arte Maior), muito perfeitos, que aqui deixo transcritas como saudosa lembrança de um trabalho interessante de um ilustre Goiense que tem o seu nome na rua da Igreja e vale a pena apreciar:

 

   LEMBRANÇA DA PÁTRIA GÓIS

 

 

Cercada de montes da origem do mundo,

Na alfombra mimosa de verdes lençóis,

Nas margens de um rio, num leito profundo,

Formosa avistamos a vila de Góis.



É pois, circunscrito seu curto horizonte

De tão altas serras às sinuosidades,

Que por qualquer lado lhe ficam defronte,

Quais muros de bronze contra as tempestades.



Oblonga bacia de côncavo fundo

Em várzeas, lezírias, ficou sendo a terra:

Transborda-lhe o Ceira nateiro fecundo

Que em dons de Pomona mil frutos encerra.



Abundam-lhe as águas no rio, nas fontes,

Não só cristalinas, de grato sabor;

Frondoso arvoredo na encosta dos montes,

Lhe dá puros ares, suave frescor.



Nos meses óptimos de Julho e Agosto

Tem frutas mimosas, mui bem sazonadas;

Nos peixes do rio, delícias de gosto,

Tem trutas no ano das mais estimadas.



Precisos à vida lhe abundam agentes,

Não só humidade, mas luz e calor;

E, ou nela residam, ou vivam ausentes,

Dos filhos dispersos tem ela o amor.



Vestígios lhe  sobram de antiga nobreza

Em Paços desertos, castelos feudais,

Em fontes, sepulcros de grande riqueza,

Igrejas e Pontes a até Hospitais.

 

Silveiras e Lemos, fidalgos diversos

A vila tivera como donatários;

Porém, hoje em dia, seus bens sãos dispersos

Por compras e vendas na posse de vários.


 

Coeva do reino já, pois, desde a infância,

Fidalga apresenta prístinos brasões,

Fidalgos seus filhos, da negra ignorância,

Libertos vão sendo por nobres acções.



E um deles obscuro, de origens plebeias,

Do povo, quais outros, saído, portanto,

Em frase rasteira, vazia de ideias,

De longe, bem longe, lhe tece este canto.



E diz, terminando: ó Pátria adorada,

Onde há doze lustros e mais que nasci;

Depois desta vida de si tão cansada,

Dá tu que eu desejo repousar em ti!



António Francisco Barata - escritor e poeta Goiense que temos de reestudar, como disse, e bem, o Professor João Alves das Neves, na Revista "Arganília. 

 

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3.9.09

                                                                                                                           IV

 

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                                   Pe. HORÁCIO NOGUEIRA

 

 

Já se passaram bastantes anos em que ouvia falar no Sr. Padre Horácio. Lembro-me até de o ver passar na rua todo jovem e airoso, vestido de preto. Filho dos saudosos Goienses Augusto Nogueira e Albertina Melão, tive mesmo a feliz oportunidade de ler, uma vez, o seu livro: "Há Vida na Charneca", e conheci também uma letra interessante que fez em tempos para uma marcha do S. João, do Terreirinho - Góis, local exacto onde nasceu. Seu primo José Alves Barata, já saudoso, em boa ora me deu a conhecer alguns dos seus belos poemas e também preciosos dados biográficos, que deixo aqui transcritos.

 

"Poeta nascido em Góis em 16.07.1925, escreveu "Estrela da Planície" (poemas, 1955);  ´"Há Vida na Charneca" 8Narrativas Alentejanas. 1956; "Cabo Verde" (Poemas Comemorativos do 5º Centenário, 1960); "Natal em S. Tomé" (Novela, 1962); A Vida recomeça Hoje" (Novelas, 1962); etc.

 

Vivendo muitos anos em Angola, primeiramente como secretário do Bispo de Malange, depois sob os auspícios duma Missão Americana, onde atravessou os horrores da guerra, em prol dos infelizes, tudo fez para lhes minorar o sofrimento. Dedicou o seu último trabalho às suas Bodas de Ouro sacerdotais, comemoradas em Fátima, publicando em Dezembro de 1998 o livro "Bodas de Ouro em Natal - Poesia e Memória", no qual se recorda toda a sua caminhada desde a infância, seminário e actividade sacerdotal e missionária até aos dias de hoje.

Colhi ainda algumas informações através da sua tia Palmira Melão Barros, que gentilmente me deu a conhecer mais uns lindos poemas do seu querido sobrinho.

Com efeito, são deste excelente Poeta, Pe. Horácio Nogueira, os interessantes poemas que transcrevo aqui, como singela homenagem:

 

 

O SOL ESTAVA ASSIM...

  

(O Bispo de Malange D. Salessu, contou-me um dia o que peço licença para divulgar)

 

Na aldeia, vendo os anos passar

E não sabendo o dia em que nascera

(O calendário, então, inda não era

Conhecido no meio das florestas),

E depois, na cidade, vendo as festas

De tanto Aniversário, quer também

fazer anos... Vai ter com sua mãe;

Lembra-se, mãe, do dia em que eu nasci?"

"Como posso esquecer?" r a mãe sorri,

Olhando o Céu; depois, levanta o braço,

Marca um pontinho nesse imenso espaço,

A meia altura, e diz, virada a leste:

 

"Filho, lembro-me bem, quando nasceste,

 

O Sol estava assim!"

E a mãe radiante,

Revive no silêncio aquele instante

Supremo e belo em que o dera à luz.

Esta mãe africana assim traduz;

Refere o nascimento à luz solar,

O dia não precisa mencionar.

Também de Cristo o dia se perdeu?

O importante é saber que Ele nasceu!

 

 

Cessar-fogo

 

É tempo de cessar-fogo!

A guerra tem de acabar!

Não pode manter-se um jogo

Que impõe morrer ou matar.

 

A guerra – jogo macabro –

Não tem justificação;

Traz angústia, descalabro,

Miséria, destruição.

 

Querra entre irmãos é vergonha

Que fica por muitos anos.

Quem tem armas - que as deponha!

Em vez de guerra - outros planos

 

Há processos racionais

Para atacar o problema.

Matar – é fácil demais.

“Não à guerra!” - seja o lema.

 

Cessar-fogo. Dar o braço.

Desarmar os corações!

Mesmo assim, muito estilhaço

Vai atingir gerações.

 

 Um poema interessante e quadras muito conceituosas que, infelizmente, estão ainda actuais.

 

Ultimamente o Sr. Padre Horácio tem residido em Lisboa e numa das suas últimas visitas a Góis em 30 - 5 -99 deu-me o grato prazer da sua visita. Teve de identificar-se porque eu já não o conhecia, apesar de um aspecto jovem... Em Janeiro do ano 2000 enviou-me de Malange um gentil cartão de Boas Festas, com dois encantadores, dos quais vou reproduzir aqui cinco quadras que escreveu sobre o




 ÚLTIMO NATAL DO MILÉNIO

 

Ano 2000! Que significa isto?

MILÉNIO! Que interessa tal assunto?

Respondo eu próprio àquilo que pergunto:

Só pode ser Natal de Jesus Cristo.

 

A Seu respeito o Apóstolo escreveu

Raras palavras que talvez remontem

A tempos antiquíssimos: É de Ontem,

De Hoje e de Sempre. "Eterno Jubileu!

 

E lembro o que o salmista diz num verso:

"Perante Deus, mil anos são um dia".

Assim, o dia de hoje principia

E mais de mil anos passam no universo.

 

Se, para Deus. Milénios são instantes

E a soma dos instantes milhões de anos,

Natal perpétuo existe nos Seus planos,

Talvez porque nos fez itinerantes...

 

Peregrinos errantes do Além!

Nesse Natal eterno bem presença

Quero chegar humildemente e, sem detença,

Pede licença e diz “Venho por bem!”

 

Pe. Horácio Nogueira, um Poeta Goiense de letras Maiúsculas a merecer lembrar-se com o devido relevo e respeito.

 

 ooooooooooooooooooooooooooooo

 

                                                                V

 

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                                               PAULO ILHARCO

 

Com muito apreço tenho vindo a acompanhar o estro do distinto Poeta Paulo Ilharco  de raiz  Goiense que, em minha opinião, pode, perfeitamente, ombrear como os melhores Poetas Portugueses da actualidade.

 

Modela com arte e conceito toda a sua poesia, desde a quadra popular ao soneto clássico, como evidenciam os seus versos, inspirados, tantas vezes, em sentimentos de melancolia.

 

Nascido em 26 de Maio de 1961, filho do saudoso Dr. Jorge Ilharco e de D. Zulmira Ferreira Fias Nogueira, concluiu muito jovem o curso superior de Línguas e Literaturas Modernas, exercendo hoje a actividade de Professor de Português e Inglês.

Tem quatro livros de poemas publicados, sendo: “Sonetos Imperfeitos””Chão Sagrado” “Paranóia” e Transgressão”, respectivamente nas datas 1991 – 1992 – 1935 e 1997.  

  

Estou a escrever esta pequena biografia no meu livro “Góis e Seus Poetas” em 21.1.99, dia em que recebemos deste nosso amigo uma lembrança lindamente encaixilhada, ouse: um gentil soneto que vou dar a conhecer aos leitores:

 

 

                     NA TAL DATA  

 

 

25 de Junho ou de Dezembro?

Ao certo não sei bem quando é Natal?!

É no Inverno ou no V´rão – já nem me lembro,

Se calha numa data especial!

 

Pode ser até mesmo lá pra Setembro,

Durante a desfolhadas na quintal.

Quem sabe em Maio, Abril, Julho ou Novembro,

Hallove en, Réveilon ou Carnaval?

 

Talvez em dia – Sempre ou dia Nunca,

Num Palácio ou até numa espelunca,

Cuja porta da rua não tem trinco.

 

Ou, então nesse Dia, apenas só,

Em que um velho de barbas, num trenó,

Desce ao mundo em Dezembro, 25!

 

Um soneto com muita profundidade para quem puder e souber tirar-lhe as devidas conclusões.

 

Não resisto ao desejo de incluir agora nesta edição um soneto de que gostei muito também e Paulo Ilharco, me dedicou após o falecimento da minha saudosa e querida mãe: então é assim:

 

           ASAS IMORTAIS

 

Ao saber que partiu a tua mãe,

Coloquei a questão se fosse a minha?

Como tu perderia o maior Bem,

Uma santa, uma fada, uma rainha.

 

Choraria tais lágrimas também,

Que inundaria a estrela mais vizinha.

Tentaria chegar aos Céus, Além,

Nas asas imortais duma andorinha.

 

Gritaria a S. Pedro: “Quero entrar!”,

P´ra que pudesse, apenas, demonstrar

Tamanha indignação, incontrolável.

 

Pois se até quando morre um passarinho

Nos chora o coração devagarinho,

Quanto mais uma Mãe… - imperdoável!!!

 

                                               18.3.1998

 

Cá fica como homenagem a sua mãe, D. Mirinha, a todas as mães e ainda como preito da minha admiração pelo ilustre Amigo Paulo Ilharco, que, com estes dois belos sonetos, contribuiu para alindar mais o meu livro “Góis e Seus Poetas”. Bem-haja.

 

(Actualizando, Paulo Ilharco publico mais “E NU SENTE” em 2002 – “Ideias… …E DEI-AS” em 2004 e “Asas” em 2009. Um abraço por me os ter oferecido todos, esperando pelo 8º logo que possível.)

C.B.S.

 

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                                                      VI

 

 

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                       ANSELMO DOS SANTOS FERREIRA

 

Evocado merece também ser ANSELMO DOS SANTOS FERREIRA, falecido em Soure em 7 de Janeiro de 1986, com 83 anos de idade. Foi professor primário, sendo natural de Alvares e filho do antigo prof. Manuel dos Santos Ferreira que nascera em 1878 no Cadafaz e por quem passaram muitas e muitas gerações de alunos, também em Alvares.

 

   Anselmo dos Santos Ferreira, conhecido por “Elmanso Beirão” exerceu as suas funções com a competência que lhe foi publicamente reconhecida em várias localidades do País, entre as quais P   Pombeiro da Beira e, por fim, Granja do Ulmeiro, onde esteve mais de 25 anos e onde, ficou por sua manifesta e expressa vontade, ficou também sepultado. Poeta de invulgar sensibilidade, foi autor do interessante fascículo “Sol Poente” que durante 40 anos distribuiu, com regularidade, pelos seus inúmeros amigos (entre os quais teve a gentileza de me incluir, focando sempre motivos da nossa bela região de onde era natural.

 

   Na sua última carta de 26 de Dezembro de 1985 que dele recebi (e ainda assinou), dizia-a me, textualmente. “Sem forças para mais, aceite as minhas respeitosas saudações e creia-me na sincera Amizade que sempre lhe dedicou o conterrâneo e colega da verdadeira arte poética. Sempre ao seu dispor, muito grato. Anselmo dos Santos Ferreira,

 

   Muito mais poderia ter dito sobre este poeta de Góis. Contudo, vou apenas transcrever um seu curioso trabalho.

 

 

  Tinteiro e Pena.JPG         Alselmo 2.JPG

 

 

Aqui deixamos, pois, impresso o seu "Tinteiro e Pena" das suas memórias que,muitas vezes ilustrava com sugestivos desenhos.

 

ooooooooooooooooooooooooooo

 

                                                                VII

 

                            ANTÓNIO RODRIGUES DIAS

 

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No meio de 2 grandes Poetas portugueses, Francisco dos Santos já saudoso e Aníbal Nobre.

 

 

Também não posso deixar de recordar um saudoso Amigo, também Goiense de gema, que foi António Rodrigues Dias, falecido em Góis em 18 -5 -1994, com 97 anos de idade.

  

   António Rodrigues Dias que residiu, repartidamente, cerca de 60 anos no Brasil, era uma pessoa simples, mas culta a quem deverá chamar-se também Poeta. Autor de um livro em prosa, muito interessante: “Recordações dos Tempos Idos”, que publicou no Brasil em 1966, aonde recorda os seus tempos de pastor e as brincadeiras da sua meninice, passadas no Rio Ceira, em Góis, já, então, o delírio dos garotos da terra.

 

    Em 1971 publica mais um livrinho a que deu o título “Sonetos: “Prosa e Verso”. Não muito rigoroso na metrificação dos poemas, mas a sua prosa é brilhante, E porque falei em António Francisco Barata vou aqui deixar transcrito um pequeno trecho em prosa que António R. Dias neste seu livro de prosa e verso e ainda um poema, a si dedicado com o título: A CRIANÇA SONHADORA QUE EU FUI.”

 

   .”António Francisco Barata nasceu em Góis em 1836 e morrer em 1910.

   

   Tendo vivido quase toda sua vida em Évora, lá escreveu a maioria das suas obras, entre elas.”Manuelinho de Évora;” “Vidas dos Arcebispos;” “Estudos Linguísticos”; “Um Duelo nas Sombras;” e muitas outras. Dotado de uma vasta e variada erudição, António Francisco Barata merece a nossa homenagem pela quantidade de trabalhos literários, históricos e linguísticos deixados,

    Este nosso erudito conterrâneo honra não só Góis, mas toda a lusíada Nação. Já que às letras prestou grande subsídio, principalmente na arte de bem escrever,”

 

 

  A CRIANÇA SONHADORA QUE EU FUI

 

Eu queria em criança viajar..,

Conhecer Novos mundos que lia

Nos volumes de geografia;

E que eram terras de encantar!

 

Quando em pequeno de Góis parti,

Para o mundo com que sonhava…

Quantas…quantas ilusões levava!

Da Pátria, saudades senti…

 

E a ser zagal, outra vez voltei…

Recordações da terra… matava,

Mas de novo, com o Brasil sonhei!

 

E à grande Nação, eu voltava!

Com o afago que lhe dediquei,

Segunda Pátria se tornava!   

 

António Rodrigues Dias, pelo muito que quis à sua terra e pelo que escreveu sobre ela, bem merece ecocarmos o preito que lhe é devido.

 

C.B.S.    

 

ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

 

                                   VIII

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 JOSÉ ALVES BARATA                                        

 

  

Um apaixonado também pela poesia. Tinha coleccionados no seu Computador, milhares de pensamentos e Biografias de Poetas, Poesias, etc.

 

    Filho de Miguel Barata Claro e de Maria Baptista Claro, nasceu em Góis em 28.11.1918, tendo, quando muito jovem, emigrado para junto dos seus pais que viviam no Brasil, Na cidade de S. Paulo, trabalhando de dia e estudando de noite, tirou o curso de Contabilidade na Faculdade de Comércio de D. Pedro II, na qual ficou a leccionar até abrir a sua própria Escola de ensino Primário r admissão aos Liceus com o nome de Externato São Paulo que manteve até regressar a Portugal e a Góis, onde fez parte da Filarmónica local.

    Com 20 anos vai para Lisboa matriculando-se na Escola Comercial Rodrigues Sampaio e no Instituto Comercial de Lisboa. No qual frequentou a curso Preparatório para Ciências E. e Financeiras. Na Capital fez ainda parte de um conjunto Troupe-Jazz.

    Aos 67 anos tirou o curso de História da Arte, com predominância da pintura e ais 78 iniciou conhecimentos em informática, de que muito gostava

     Publicou em 1996 dois livros. Um de Adágios Sabedoria Popular e outro de Poesias. É deste último que deixo aqui registado algumas quadras de fé e um soneto de Amor.

 

            SER CRISTÃO

 

Ser Cristão é ter bondade,

Ter moral, ser caridoso;

Amar sempre a Humanidade,

Ser leal e bom esposo.

 

Não desejar o alheio,

Respeitar os mais idosos;

Amar a Deus, sem receio

Dos ateus insultuosos.

 

Acarinhar as crianças,

Guiá-las no bom caminho;

Incutir-lhes esperanças,

Forjar-lhes um bom destino.

 

Não roubar e não matar,

Ser bondoso e esmoler;

A outrem não cobiçar

Os seus bens e a mulher.

 

Não usar de hipocrisia

E fingindo o que não é;

Não praticar heresia,

Nas leis de Cristo ter fé.

 

                            

 

             O ESPINHO

 

A pura rosa branca do teu peito,

O seu perfume exala alvissareiro,

O que com tal magia e tal jeito,

Mantém inebriado o meu craveiro.

 

O carvão puro e branco, aqui nascido,

Crescei para atingir essa janela,

Em busca desse sonho prometido

Por tão imaculada rosa bela.

 

Levando seu perfume contrastante,

Espera conseguir um novo odor…

Como preito de homenagem dum amante.

 

Depõe aos pés da bela o seu amor!...

É só, então, consegue num instante

Saber que da beleza só vem dor!

  

Com estas quadras, simples, mas contagiantes de conceito moral e o soneto “Espinho”, recordei o poeta José Alves Barata, um bom Amigo, também, que nos últimos tempos de vida se correspondia comigo e me mandava, sempre que podia “do seu viveiro”… bonitos e sentenciosos pensamentos. Pena foi que começasse a sentir a saúde abalada r tivesse de partir para o Céu em 8 de Março de 1999. Numa das suas últimas cartas ele me dizia, ainda com alguma esperança: - Mudei-me para Odivelas para ficar mais próximo da família, pois a minha doença está a ficar já muito trabalhosa para a minha mulher, e como preciso dela até ao ano 2000, tenho que a ir poupando. Povoava-lhe o espírito o sonho de poder atingir o novo milénio. Infelizmente não pôde ser.

 

   José Alves Barata, um goiense profundamente culto e multifacetado em artes. Deste modo referiu também o jornal “ALMOUROL” em jeito de homenagem: “Passou à Eternidade este nosso distinto colaborador, homem de sete ofícios ao longo de uma vida rica de vivências. Caminheiro das paridas do mundo, conhecedor dos “Brasis” e de outras paragens, sempre na ânsia de vencer na vida e de aprofundar conhecimentos com as experiências de outras culturas.

 

  Que do outro lado do mundo e perante Deus possa interceder pela nossa Pátria e por nós que o recordamos sempre com muita Saudade.                              

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2.9.09

 

                         NA PRAIA DA BARRA DE AVEIRO

 

Foto velhinha tirada na praia da Barra de Aveiro em 14 de Setembro de 1949. Eu sou a mais alta… a criada é a de blusa branca e a minha prima está no lado direito. Isto passou-se, quando eu fui passar umas férias a sua casa em Trofa do Vouga – Águeda.

Depois de ter passado em nossa casa mais de 30 anos alternadamente, a minha prima faleceu em 17  de Outubro de 1989 em Góis, estando  sepultada em Jazigo de família em Trofa do Vouga. No meu livro Arca de lembranças tenho-lhe dedicado  um soneto de Saudade, com o ttitulo "Carta para o Céu".

 

 

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                                                           IX

 

                  MARIA TERESA TAVARES BARATA

 

  Prima directa de minha mãe, nasceu em Trofa do Vouga – Águeda, em 16 de Dezembro de 1910 e faleceu em 17 de Outubro de 1989 em minha casa, em Góis, onde viveu, repartidamente, mais de trinta anos, após a morte de seus pais.

 

   Seu pai, César Augusto Barata, irmão de minha avó materna, nasceu na Samoura – Góis

Após ter regressado ainda jovem do Brasil, para onde tinha emigrado com o seu pai, conheceu em Lisboa uma senhora do concelho de Águeda, de nome Elvira Tavares,  que acompanhava um tio Padre, com quem veio a casar.

 

   Este meu tio um grande Democrata e Republicano. Foi de pois Presidente da Câmara M. de Águeda desde 1914 a 1923, tendo deixado naquela região um nome ilustre e até homenageado. Com o nome de uma rua em Trofa do Vouga, onde fui também Presidente da Junta de Freguesia.

 

   Maria Teresa Tavares Barata cedo se iniciou nas lides literárias. Distinta prosadora, foi também uma boa poetisa, com quem ainda aprendi algo de válido. Interessava-se muito por estudos e narrações histórias, tendo escrito bastante em prosa e verso sobre o Panteão dos Lemos da Trofa e seus parentes Silveiras de Góis,

 

   Com 16 anos, apenas, escreveu uma curiosa novela “O Doutor da Quinta do Sobreiro”, (costumes da poética região do Vouga) e um pequeno livro dedicado ao Marquês de Pombal. Mais tarde em 197º e 1971 publicou dois romances: “ Maria da Glória” e “As Irmãs Lívia e Flora”, este, enredo passado no tempo dos primeiros cristãos. Para estes dois até arranjou  editor, que de vez em quando lhe mandava fundos.

 

Deixou minha prima imensos trabalhos em prosa e em verso, espalhados por muitos jornais e revistas do País, muitos deles com o pseudónimo de Maria da Cruz. Foi colaboradora assídua do antigo Diário “Novidades” e Independência de Águeda. E é deste jornal que vou deixar aqui reproduzidos dois trabalhos seus: Primeiro um soneto dedicado a Florence Nightingale, nascida em Florença – Itália em 1823, que em 1854 abalou com outras senhoras para a guerra da Crimeia, distinguindo-se como Educadora, Filantropa e médica muito solícita nos Hospitais militares Ingleses. Este Governo concedeu a Florence Nightingale em 1907 a Ordem de Mérito e o Município de Londres em 1908, nomeou-a “cidadã” honorária”. Finalmente: uma poesia dedicada a S. João de Deus.

 

 

       A FLORENCE NIGHTINGALE

 

Nascida em lar patrício e esplendoroso,

Quisera ser irmã dos que trabalham.

Dos que sofrem, que lutam, que batalham

E deste ao mundo um rasto luminoso.

 

 

O teu coração forte e generoso

Abriu-se de amarguras que retalham

O coração dos míseros que orvalham

De pranto o seu caminho tenebroso.

 

 

Tantas vidas salvaste, alta Senhora,

Doce enfermeira e egrégia lutadora,

Atenta ouvindo a voz da divindade.

 

Santa virtude foi a toa glória,

 Gravaste sobre as páginas da História

Uma palavra de ouro: - HUMANIDADE!

 

 

S.  JOÃO DE DEUS – SANTO PORTUGUÊS

 

Há graça e luz em Montemor-o-Velho,

Ninguém e já repicam sinos!...

- João é pobrezinho – diz i povo

Que terá ele a mais que outros meninos?

 

Será i aventureiro ta maninho,

Que a Espanha vai ali se faz pastor,

Cresce, leal, valente e um grande Amor

Quer florir-lhe de rosas o caminho.

 

A filha do feitor, de olhos de mel,

De terno e generoso coração,

Amava esse pastor, como Raquel

Amou outrora o neto de Abraão.

 

Dava-lhe o pai risonho e satisfeito;

João recusa aquele Amor profundo.

E nem sabe que sonho traz no peito,

Nem que o seu nome brilhará no mundo!

 

Português, segue a rota da aventura,

Batalhador da Espanha armipotente,

Paladino da Cruz ante o Crescente,

Põe ambas sobre e luta com bravura.

 

Serve de graça a casa desditosa

De gente Portuguesa degradada,

Dá-lhe o labor e a estima respeitosa;

Depois vende livrinhos pela estrada.

 

Um dia ao meditar no seu Senhor,

Pensa – Morreu por nós, e eu fiz tão pouco!

Roja a fronte no pó, chamam-lhe louco,

Tal como Herodes fez ao Redentor.

 

Surgiu então no Hospitaleiro Santo,

Doce raio de luz que o Céu mandou;

Da caridade o imaculado manto

Sobre toda a miséria desdobrou.

 

Campeador augusto em santa lida,

Para salvar da morte o seu irmão,

Do peito arrancaria o coração,

E daria a sorrir a própria vida!

 

Chora por ele a Espanha desolada,

Que outro João de Deus não voltará.

Levam-no Anjos, ninguém perguntará

Quem foi dobrar os sinos de Granada…

 

 Maria Teresa Tavares Barata, de raiz Goiense, não nasceu aqui, como já referi, mas viveu em Góis metade da sua vida, um tanto triste. Seu corpo permanece guardado em jazigo de família, em Trofa do Vouga – Águeda.

Possuindo uma alma virtuosa, lutou sempre com a sua pena de ouro para salientar, no papel o sentimento da Dignidade, da Moral e da Fé, com que ornamentava todos os seus escritos. Provam-no as transcrições de interessantes artigos que escreveu e foram sendo rememorados no jornal “O Varzeense”, com o pseudónimo de Maria da Cruz.

 

… Devia este pequenino preito a minha prima Maria Teresa, que aqui deixo impresso com a mais profunda Admiração e Saudade. C.B.S.

 

 oooooooooooooooooooooooooooooooooooo

 

 

                                                          X

 

             JOSÉ FERNANDES DE ALMEIDA

 

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                                                  ÁDELA- COLMEAL - GÓIS 

 

(Da Internet

     Bem-vindo ao site da Comissão de Melhoramentos de Ádela: Ele foi elaborado para dar a conhecer a nossa terra que é uma aldeia da Beira Interior, situada nos contrafortes da serra do Açor, na freguesia do Colmeal, concelho de Góis.

 

Visite-a e desfrute de belas paisagens, de um ambiente de paz, tranquilidade, ar puro da serra e águas cristalinas, onde os únicos ruídos são o gorjear dos passarinhos e o “cantar” dos ribeiros!!!

Esqueça o stresse citadino e venha relaxar em harmonia com a Natureza.)

 

======================

 

 

José Fernandes de Almeida nasceu em Lisboa em 1943. Mas é oriundo de Ádela – Colmeal, onde nasceram os seus pais e aldeia onde viveu desde um ano, até aos catorze de idade.

 

Segundo informações recolhidas pelo articulista e pintor Fernando Costa, do Colmeal, que o descobriu Através do Jornal de Arganil. José Fernandes de Almeida, hoje com 67 anos, iniciou a sua carreira em Artes Gráficas, como tipógrafo em Lisboa, Tem o curso liceal e frequentou a Universidade Clássica – Faculdade de Psicologia.

 

No jornal “O Varzeense de Abril de 1999 e por meio de um artigo de Fernando Costa, tomei conhecimento de alguns poemas do poeta José Fernandes de Almeida e que publicara um livro em 1983, com o título “METAMARFOSE” desespero… Poesia, Esperança! Daí o meu desejo de ler mais algumas poesias suas.

Por acaso, muito recentemente na Imprensa Regional, tenho apreciado diversos trabalhos seus interessantes, tanto em verso, como em prosa.

 

Assim, a sua inspirada Obra “metamorfose” decidi incluir no meu livro dois curiosos poemas que me prenderam também a atenção e os leitores poderão gostar destas coisas puras de sabor a serra.

 

            QUANDO EU MORRER

 

Quando os meus olhos deixarem de ver

Quando o meu coração deixar de bater

Quando o meu sangue não mais circular

Quando o meu corpo hirto, gelar…

Não quero jazigo para a posteridade,

Não quero discursos à minha Saudade,

Não quero lamentos à minha partida

Não quero lágrima mesmo sentida

… Sepultai-me longe da cidade que me viu nascer

Sepultai-me na aldeia que me viu crescer

Quero campa rasa entre o sol amado

Quero sentir a aragem do vento sonhado

Quero ouvir os pássaros a cantar amor

Quero, enfim, repousado esquecido da dor

Escrevam numa tábua que no solo se enterra:

“Aqui dorme o poeta que ama a serra”.

 

 

   ARTE, SERVIDÃO E LUTA

 

Lembro saudosa avó o teu tear

Vosso labor em plena comunhão

Desse arcaísmo, a mestria e perfeição

Nasciam ante o meu espanto e puro olhar!

 

Alta arte dominava a ardidura;

Girando, sem cessar, a lançadeira

Ordenava à canela a sementeira

De ledos fios pejando a cobertura.

 

Ah! Pudesse eu cantar a vossa história

Velho tear, desprezado tecelão,

Colher do tempo anéis da servidão

Soterrados com lança da memória!...

 

Teria de saudar génio inventor

Que de vós fez espada do progresso,

Tendo ao linho e á lã largo acesso

Se permitiu à nudez dar cobertor.

 

Teria de focar reis que ornamentaste,

Meus Senhores feudais que vos vergaram,

Vãos mercadores que vos enganaram,

Revolução industrial porque passaste.

 

Não esquecendo o luxo – a burguesia –

Desfilando em salões que revestiste

Com vosso suor, cansaço e rosto triste

Banhados em pobreza e heresia.

 

O autor inicia o livro assim: cantei com Camões, Antero, Cesário, Pessoa, Sá Carneiro, Florbela… cantei com os mestres nos livros dos mestres cantaram em mim, rasgando ainda mais o meu já profundo desfiladeiro sentimental… Cantámos o Campo, a Cidade, o Mar; cantámos o Homem, o Amor, a Angústia, a ténue Esperança… Cantámos, em suma, a Terra e o seu recheio exterior.

O Campo amarelou, a cidade sufocou, o mar poluiu; Homem esterilizou, o Amor adulterou, a Angústia, a Esperança morreu; a Terra com seu recheio voga mofosamente!

 

Actualizando, deixo aqui dois textos interessantes, recentes, que o Amigo e prezado poeta Sr. José Fernandes de Almeida me enviou. E ainda umas palavras bonitas que teve a gentileza de me dedicar.

 

                           NINGUÉM SE SALVA SOZINHO

 

AMAR O Próximo é muito difícil, mas imperioso:

Pedimos a Deus pelos presos, pelos doentes, Graças pelas famílias desunidas, pelos traumatizados. Pelos escravos das paixões que enlaçam e aniquilam, pelos governantes de todo o Globo, pelos desesperados, pelos que têm tendência para o suicídio, pelos tristes solitários, por aqueles que não acreditam na Vida após a morte, pelo vagabundos que têm os passeios por residência fria, pelos fazedores de guerras, pelos matadores do próximo, pelos agressivos que batem no semelhante, pelos ladrões, pelos pedófilos, pelos traiçoeiros, pelos falsificadores, pelos enganadores, pelos homens e pelas mulheres que se vendem sexualmente, pelos seus compradores, pelos que reencarnaram sem voz ou fala, sem ouvido, sem visão, sem capacidades de locomoção físicas, pelos “tolos, pelos que têm variadas “anomalias” e ou espirituais, enfim, enfim, enfim!...

Uma oração a Deus por todos os seus filhos encarnados e desencadernados!

Na óptica Reencarnatória, cada um tem o que merece! Mas ai daqueles que não ajudarem o Próximo!

Rumo ao Criador, ninguém se salva sozinho!

 

===================

 

                 CEM ANOS DE REPÚBLICA

 

Eu fui Monárquico! Eu sou Republicano! O meu País é Portugal, a sempre e bela Lusitânia! Cosmopolita, o meu País é o Mundo todo!

Tenho sangue cruzado entre muitos POVOS que Lavraram esta cabeça atlântica! Da Europa! E tenho muito gosto e prazer de ser um filho desse cruzamento sanguíneo e físico e até Espiritual!

Como Monárquico, vi a minha Pátria criar o seu e meu intrínseco e Amado Rectângulo: vi – a  partir em caravelas e a abraçar todos os continentes e todos os povos da Terra!

Como Republicano, continuo a ter e -a sentir, face à Pátria, os mesmos sentimentos!

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, mas o meu Amor por este Rectângulo não muda!

Cem anos de República! Valeu a pena a Mudança? Quase sempre a mudança é Crescimento! Mas as grandes Transições doem muito!

As ditaduras de alguns Reis de anteontem, talvez pertinentes na ocasião, já não poderiam ter verdura nos dias de hoje!

Em princípio, a República anda de braço-dado com a Democracia, melhor dizendo, objectiva – a! Mas, infelizmente no terreno revela muitos defeitos! A Democracia que, em certa medida, tenta aglutinar várias correntes políticas, ainda é, no meu entender, o melhor sistema da Terra!

No nosso Globo, evoluímos muito a nível científico. Mas a nível moral, religioso e social pouco avançámos em relações dos nossos irmãos das cavernas!

Reconhecendo que a Implantação da República foi um Avanço. Gritemos! Viva a República!

Eu fui Monárquico! Hoje sou Republicano!

- Amanhã, virá um Regime melhor”

 

José Fernandes

 

Eis as simpáticas palavrinhas, de que falo em cima:

 

Lisboa 15 de Nov. de 2010

D. Clarisse

Os meus melhorem cumprimentos!

Muito obrigada por se lembrar de mim!

 

A Senhora é uma pessoa de “fibra” que muito honra as nossas Beiras!

 

José Fernandes

……………………………………………………………………

 

Aqui fica à apreciação dos leitores um pouco do sentir deste inspirado poeta sentimentalista que parece até revolto e angustiado da vida, oriundo da serra e mais concretamente de Ádela – Colmeal.

 

Muito obrigada Senhor José Fernandes. C.B.S.

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1.9.09

 

 

                                                           XI

 

                       AMADEU S. DUARTE CARVALHO

 

     Amadeu Simões Duarte Carvalho, ou apenas Amadeu Carvalho, como usava também. Nasceu no lugar de Chão dos Santos – Vila Nova do Ceira em 5 de Fevereiro de 1913 e faleceu em Lisboa em 14 de Janeiro do ano 2000. Permitisse Deus que não fosse como “Velho Tronco Abandonado”, tal como deu ao título de um seu sentido soneto que li, uns dias antes da sua morte, no Jornal de Arganil.

 

Em Abril de 1928, com treze anos somente, deixou o rebanho para ir trabalhar no que aparecesse e seguiu rumo a Lisboa, onde dois generosos Sargentos, um da Marinha e outro do exercito lhes ministraram as primeiras letras.

 

Consoante palavras suas, após uma semana de aprendizagem, escrevia, de Alcântara a primeira carta dirigida a seus pais. Mais tarde chegou a ser um conceituado industrial de Hotelaria e Café.

 

Com certa inclinação para as letras e inspiração para a poesia, há anos que vinha publicando produções suas na imprensa Regional. Trabalhava também 32 tipos de caligrafia, sendo 12 de sua autoria.

 

Ult6imamente tinha uma agradável distracção na pintura de quadros com flores, e não só, que costumava oferecer aos Amigos e Instituições de Caridade. Pena foi que nos últimos tempos a falta de saúde o impedisse de sonhar como desejaria.

 

Deixo, então, à consideração dos leitores e conterrâneos singela lembrança de alguns trabalhos seus, evidenciando, assim, uma das suas artes ornadas de Amor Cristão:

 

                                     A PRIMAVERA DA VIDA

 

  “Soneto dedicado ao Sr. Manuel dos Santos Paulo Rato Júnior”

 

A Primavera linda, eis chegada!

O Sol quando aparece é mais quentinho,

Já foi a neve, o frio e a geada…

Tudo vai deslizando p’lo caminho.

 

A Primavera, Fonte desta Vida,

É doce Mãe que tudo faz crescer!

Que pena…para nós está perdida!

Sem ela, como vamos nós viver?!

 

- Levanta-se, homem! Dê mais uns passinhos…

Ouça o terno cantar dos passarinhos,

À luz do Sol brilhante, a despertar.

 

Eu sei que gosta muito de os ouvir!...

Então que espera para usufruir

A alegria e prazer do seu trinar.?!...

 

 

                      O PASADO

 

COMO OS PASTORINHOS DE FÁTIMA

 

                   

 

Eu era noutro tempo uma criança,

Botão de cravo em flor desabrochado!...

Quem dera haver em mim feliz mudança

E de novo abraçar o meu passado|

 

Sorrir, assobiar pelos quintais…

E jovial pastor voltar a ser!

Estar com meus avós, Irmãos e Pais,

E em meu peito apertá-los com prazer!

 

Quem me dera descalço ainda andar

Com meus tantas vezes a sangrar,

Pois assim quase sempre sucedia.

 

Quem me dera essa Vida, agora, ter

E dos meus pais voltar a receber

Aquela Paz e Amor que, então, havia!...

 

                                Lisb, 23 – 7 – 98

 

 

ESTA FÉ QUE ME ALIMENTA

 

Há um segredo escondido

Que falta ao homem saber.

Pode ter muito aprendido,

Mas nunca o vai conhecer!...

A Ti, Deus-Pai, ó Divino,

Eu te quero agradecer

Esta Fé de pequenino,

Que me deixaste ao nascer!...

 

Hospital de Santa Marta, Lisboa – 1998

 

Nota:

Tenho pena de não possuir uma foto deste Senhor. Se alguém de família a tiver, agradecia o favor de me a esprestarem. C.B.S.

 

ooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

 

                                                  XII

 

                   MARIA CÂNDIDA B.C. CORTEZ

 

                                 

 

 

D. Maria Cândida Chichorro Cortez, filha do saudoso Goiense Dr. Diogo Barata Cortez e de D. Laura da Conceição Barreto Chichorro de Vilas Boas Cortez, nasceu em Góis em 2 de Junho de 1902. Casou em Fátima em 25 – 3 – 1948 com Faustino Rodrigues Pereira Gens, de Vila Nova de Ourém. Durante anos residiram na Beira – Moçambique, onde seu marido prestou serviço com Funcionário Público.

Depois de viúva, D. Maria Cândida, ou melhor “Candinha” como era conhecida, viveu alguns anos em Coimbra, tendo algum tempo depois se retirado para uma Casa de Repouso em Paço de Arcos – Oeiras, onde faleceu em 31 de Julho de 1996.

 

Conecida a Candinha, já há muito anos e havia, até, em minha casa um relacionamento Amigo com esta Respeitável  e Saudosa Família de Góis. Todavia, só há muito pouco tempo e depois do seu desaparecimento é que eu descobri que ela também se ocupava, desde nova, a fazer poesia.

Por me dizer muitas vezes que gostava de ler os meus poemas, eu mandava-lhe os meus livros à medida que os ia publicando, mas na sua modéstia jamais me confidenciou que também tinha feito poesias. Segundo parece fez alguns poemas para o antigo rancho folclórico de Góis. Em África em Coimbra e não só, chegou a participar em certames. O último livro que lhe ofereci foi os “Hinos da Tarde” em 1994. Tendo-me dito que ficava muito feliz e sensibilizada com ele. Dizia também: “Pois Deus lhe dê ainda muitos anos de vida para poder enriquecer a sua biblioteca com mais obras suas; é o meu desejo sincero.”

Era muito boa senhora, deixando-me, também, Saudades.

 

Eis alguns dos seus trabalhos poéticos, que pessoa Amiga fez o favor de me dar a conhecer:

 

Numa festa de Lisboetas, em Moçambique em 1955.(Quadras premiadas com menção honrosa):

 

 

 

Lisboa, minha Lisboa,

Lisboa, meu querubim!

Não há cidade tão boa,

Não há outra terra assim!

 

É a cidade mais bela,

Toda ela é um jardim!

Que Saudades tenho dela,

Não há outra terra assim!

 

Desde o Tejo ao Monsanto

Ela é tudo para mim,

Por isso lhe quero tanto,

Não há outra terra assim!

 

Pois no mundo, por enquanto,

São só belezas sem fim.

Toda ela é um encanto,

Não há outra terra assim!

 

QUADRAS SOLTAS

 

Teu doce nome, Maria,

É tão cheio de doçura

Qu’ao morrer eu gostaria

De o repetir com ternura.

 

Ai quem me dera esquecer-te,

Já que não gostas de mim!

Pra que havia, assim, de querer-te,

Se não podes querer assim?

 

Amor, não podes ficar

Com os beijos que te dei.

Não sabes que açambarcar

Hoje é punido por lei?

 

Em quatro versos somente,

Meu Amor eu não consigo

Dizer o que alma sente

Por um coração Amigo!...

 

 

Efectivamente no tempo da 2ª guerra mundial e do volfrâmio, falava-se muito em açambarcamento.

 

Não há nenhuma verdade

(Vá lá saber-se porquê)

Que chegue a valer metade

Da mentira em que se crê…

 

Se no Amor fosse dado

Existir peso e medida;

Todos teriam comprado

Uma balança na Vida…

 

       NO DIA DA MÃE

 

Para ser lido por uma aluna da Escola

 

Mãe, são três letras pequenas

Que eu digo com devoção;

São só três, mas elas chegam

Para encher meu coração.

 

E se as mães estão em festa,

Eu quero dizer também:

Que toda a minha ternura

Vai para ti, minha mãe!

 

Mãe, nome tão pequenino,

A dizer leva um segundo,

Mas vale mais, muito mais,

Que todo o ouro do Mundo!

 

E agora, pra premiar

Estas duas mães bondosas,

Em nome da nossa Escola

Aqui têm estas rosas!

 

Góis, 8 de Dezembro de 1942

Maria Cândida B.C. Cortez.

 

Nota: Muita pena tem hoje de não poder dar à Candinha esta surpresa e alegria. Enfim, cá fica como simples recordação e homenagem póstuma. Gostava de uma foto, das lindas como ela era, mas não consegui. C.B.S.

 

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

 

                                               XIII

 

 

                                        

 

                CARLOS ALBERTO POIARES

      

 

Carlos Alberto Martins da Silva Poiares, filho do saudoso Goiense, Dr. José Maria da Silva Poiares e de D. Albertina dos Prazeres Martins da Silva, nasceu em Lisboa em 4 de Julho de 1958, sendo o actualmente o Presidente do Conselho Regional da Casa do Concelho de Góis. Portanto este ilustre Amigo está, evidentemente, muito enraizado em Góis, onde possui casa própria.

 

  Distinto Advogado na Capital, é ainda Doutor em Psicologia pela Universidade do Porto e Professor da Faculdade de Economia da UNP.

 

  Ocorreu-me inseri-lo na 2ª edição do meu livro “GÓIS E SEUS POETAS”, porque o professor Carlos Alberto Poiares publicou um livro de poemas em 1975 com o título “PAÍS LIVRE”, cujo exemplar detenho com amável dedicatória sua. Ainda, também, como singela e póstuma homenagem a seu pai, meu particular Amigo de outrora, que foi uma das principais pessoas que me incentivaram muito a escrever.

 

  E é desta obra sua “PAIS LIVRE” que reproduzo este poema interessante ao qual ele deu o nome de

 

 

 

                                              “P O E S I A”

 

                                                                 “ a Neruda”

A poesia

é facho vivo

que o poeta transporta na mão

fazendo luz na escuridão

da ignorância

e levando à grades

a esperança em verso

de um dia rebentarem

os ferros de ódio e medo

e venceram.

É o facho que ilumina

a vida em resistência

e o trabalho do mineiro,

do camponês, do operário,

do escritor, do funcionário.

É a vida clara

que se intromete

nas masmorras

e inspira quem vive,

quem resiste e quem morre

por um país livre.

 

 Fev. 1974

Prémio Criatividade 78, atribuído pela Casa da culturaq da Juventude de Coimbra.

(F.A.O.J.

 

 

 

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28.8.09

 

 

Com estes modestos poemas meus vou por dar findo este livro "GÓIS E SEUS POETAS:

  

 

 

  

 

              GÓIS TERRA DE ENCANTOS

  

 

Entre o rio e a montanha

                        Nasceu um dia na Beira.

Rica de mel e castanha!

                        Baptizada, depois,

Puseram-lhe o nome Góis.

 

Doada por D. Teresa a um tal Anião,

Deram-lhe uma História com Brasão.

                         E o fidalgo principal

D. Luís da Silveira

 

                        Quis um túmulo original

Na Capela-Mor da Igreja Matriz.

Entre o rio e pinheirais

                         Surgiu uma Vila pura

De tradições e cultura

                          Singulares perfis

Com formas medievais.

 

Velhos tectos, nichos e Capelas;

                          Painéis, portais e janelas

Vestígios de gravuras rupestres;

A Pedra Letreira à vista;

Azulejos, hispano-árabes, numa fonte:

E a velha Ponte quinhentista

 

                           Embalada pelas serras

Do Rabadão e Carvalhal,

                           Góis repousa em sossego

Junta ao Ceira que se queda

A beijar a praia da Peneda,

                           Santo António e Cerejal.

Lá vai a caminho do Mondego…

 

Terra amada, Deus a guarde

                            Na graça dos arrebóis!

Quando nasce a manhã e morre a tarde,

Não há terra mais linda do que Góis!

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