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À BEIRA DO RIO CEIRA

Blogue iniciado pela autora, Clarisse Barata Sanches, a exímia poetisa de Góis, falecida a 25 de dezembro de 2018. Que permaneça intacto em sua homenagem.

À BEIRA DO RIO CEIRA

Blogue iniciado pela autora, Clarisse Barata Sanches, a exímia poetisa de Góis, falecida a 25 de dezembro de 2018. Que permaneça intacto em sua homenagem.

O ADEUS À VIDA

05.07.12, canticosdabeira

                Não há no mundo ninguém

                Que não curve de respeito

                Perante a mulher que é Mãe,

                Embalando o filho ao peito.

                    (Ruth Brito Neto)

 

 

 

              

 

 

             O ADEUS À VIDA

 

 

Ai, mãe não se me esvai do pensamento

A manhá de dezoito de Janeiro!

Estou a vê-la em denso nevoeiro

E uma santa a voar p'lo firmamento...

 

Tal como sempre, dei-te o alimento

Que tomaste... Mas Anjo mensageiro

surgindo, fez do Lar apeadeiro...

E em surdina te disse: " Eis o momento"...

 

Logo perdeste a fala, mãe querida,

E adormceste como um passarinho...

Porém, já fôra feita a despedida...

 

... Um dia, há muito tempo, em teu quartinho,

Disse: "Vamos dizer Adeus à Vida"!...

E trocámos abraços de carinho!

 

Clarisse: Jan. de 1998

OS TEUS CABELOS

05.07.12, canticosdabeira

 

 

             Há lá coisa mais bonita

              Das coisas que a vida tem,

              Do que ouvir uma boquita

              De criança a dizer: Mãe...?!

 

               (Raul Miranda Coentri)

 

 

       

 

                OS TEUS CABELOS

 

 

Guardei uma madeixa de cabelos

Daqueles, mãe, que tinhas tão branquinhos.

É que de vez em quando, eu quero vê-los

E dar-lhes como sempre os meus carinhos.

 

Penteá-los, ainda, quem me dera!

Depois fazer-lhe as tranças com amor;

Colocar-lhe os ganchos, como era,

E a travessa dourada pra compor.

 

Mas que farto cabelo tinhas inda!

Ao vê-lo todo em ondas, pelas tranças,

Dizia-te a sorrir: És a mais linda

E a mais terna de todas as crianças!...

 

Na cama, ao pé de ti, ajoelhava

Como prostrada em frente duma Santa;

Queria deixar-te tal como eu gostava,

Tendo aos ombros um xaile ou uma manta.

 

A madeixa que tenho, aqui, comigo,

Guarda-lá-ei tal qual fora um troféu!

Ai, quem me dera, já, ir ter contigo

Pra pentear-te, mãe, aí no Céu!

 

Gostei de amar-te, mãe, e fui feliz!

Sentia-me criança, se a teu lado!...

Ai, tantos... tentos versos que eu te fiz,

Mas mais mer'cias, Mãe, ter-te cantado!

 

Clarisse - Março 1998